A
ESTRADA
Maria da Glória Colucci
Sentou-se
no banco da pracinha.
Agradeceu,
no coração, a providencial e acolhedora parada...
Que
bom!
À
volta, observou a presença de violetas de cores diversas... Tão discretas. Sua
vida tinha sido assim, nos últimos 30 anos, desde que ficara viúva...
Tentou,
aos poucos, preencher o vazio da saudade; mas, nunca conseguiu. Não encontrou
ninguém sincero e fiel para compartilhar a vida.
O
casal que a acompanhava, seus amados filhos, continuou, alegremente, de mãos
dadas, o passeio, descendo o calçamento...
Na
verdade, nem notaram sua ausência...
Pensou,
consigo mesma, eles nem olharam para trás, para ver se ela precisava de
ajuda...
Aliás,
sentiu secreto pesar; porque já há algum tempo, não a visitavam e, quando,
telefonavam, nas raras vezes, eram sempre lacônicos...
Nunca
entendeu porque haviam se afastado tanto... Sempre os ajudara, com carinho e
dedicada atenção.
Estranhava
o distanciamento, repentino, sobretudo, agora, na velhice...
Procurou
explicar para si mesma que, talvez, suas atividades de trabalho, fora de casa,
tomassem todo o tempo deles...
–
Quem sabe? Continuou conversando consigo:
–
Os compromissos sociais, de Igreja... e outros encontros com amigos...
Perdeu-os
de vista. Viraram a curva da ladeira, ao final. Não olharam para trás nenhuma
vez...
Justificou,
mentalmente, o abandono escancarado:
–
São jovens, cheios de paixão um pelo outro. Haviam se despreocupado com ela, e
passaram a se dedicar de todo coração um ao outro...
Não
havia espaço para mais ninguém em seus afetos, com exceção da cachorrinha,
carinhosa e fofinha, que ficara em casa...
A
brisa suave, que soprava no local, deu-lhe ânimo novo, pensando:
–
Estão perdoados, afinal, estavam muito envolvidos com seus próprios interesses.
Um dia entenderiam como é difícil envelhecer...
Levantou-se
e seguiu passo a passo, lentamente, o caminho de retorno para casa.
De
repente, o casal se deu conta que a deixaram para trás; mas, quando voltaram,
não mais a viram...
Ouviram,
ao longe, o som de sua música preferida – “Till”, e imaginaram que ainda
estaria por perto... foram ao seu encontro apressados.
Na memória tudo é para
sempre, não importando o tempo e o modo.