A CEREJEIRA
E O CACTUS
Maria da
Glória Colucci
À
beira da estrada lá estava a bela, rósea e suave cerejeira. Nada a perturbava.
Delicada. Floria na primavera e escondia-se em seus verdes ramos nos outros
dias do ano...
Um dia,
cresceu ao seu lado um altivo e orgulhoso cactus; repleto de espinhos,
conforme a Natureza o havia feito. Nada o incomodava. Defendia-se com seus
afiados espinhos...
Admirava a beleza e placidez da
cerejeira, porém, o já crescido cactus notou que era solitária, e pensou
em se aproveitar da situação, como fazem os invejosos e interesseiros...
aproximou-se mais dela, ao final, estavam juntos no mesmo caminho...
A cerejeira acolheu-o com toda sua
afeição e, amorosamente, o tratou...
O tempo passou e, já envelhecida,
cansou-se a cerejeira de suportar seus duros espinhos e agressivas palavras;
distanciando-se, tristemente, do invejoso cactus...
Não mais floresceu. Silenciosa e
infeliz, permaneceu em seu lugar; mas, suas raízes se enfraqueceram e suas
delicadas flores não mais brotaram...
Cego pela vaidade e ingratidão, o
indiferente cactus nem reparou que a cerejeira desfalecia... Quando
notou que não florescia e permanecia debilitada em sua amarga solidão;
entendeu, enfim, que perdera o maior bem de sua vida: – Sua única e verdadeira amiga.
Porém, era tarde demais.
A cerejeira secara.
“O amor e o respeito são a base da verdadeira amizade.”