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23 setembro 2025

A CEREJEIRA E O CACTUS

 

A CEREJEIRA E O CACTUS

                                                                                               Maria da Glória Colucci

 

 

                                    À beira da estrada lá estava a bela, rósea e suave cerejeira. Nada a perturbava. Delicada. Floria na primavera e escondia-se em seus verdes ramos nos outros dias do ano...

                                    Um dia, cresceu ao seu lado um altivo e orgulhoso cactus; repleto de espinhos, conforme a Natureza o havia feito. Nada o incomodava. Defendia-se com seus afiados espinhos...

                                    Admirava a beleza e placidez da cerejeira, porém, o já crescido cactus notou que era solitária, e pensou em se aproveitar da situação, como fazem os invejosos e interesseiros... aproximou-se mais dela, ao final, estavam juntos no mesmo caminho...

                                    A cerejeira acolheu-o com toda sua afeição e, amorosamente, o tratou...

                                    O tempo passou e, já envelhecida, cansou-se a cerejeira de suportar seus duros espinhos e agressivas palavras; distanciando-se, tristemente, do invejoso cactus...

                                    Não mais floresceu. Silenciosa e infeliz, permaneceu em seu lugar; mas, suas raízes se enfraqueceram e suas delicadas flores não mais brotaram...

                                    Cego pela vaidade e ingratidão, o indiferente cactus nem reparou que a cerejeira desfalecia... Quando notou que não florescia e permanecia debilitada em sua amarga solidão; entendeu, enfim, que perdera o maior bem de sua vida:  – Sua única e verdadeira amiga.

                        Porém, era tarde demais.

                        A cerejeira secara.

 

 

“O amor e o respeito são a base da verdadeira amizade.”