AS PEDRAS DO
RIO
Maria da
Glória Colucci
Era
apenas um tímido olho d’água...
Jorrou à sombra de arbustos e foi evoluindo em seu curso
em direção ao mar...
Sua
nascente borbulhava em pequenas ondas, formando círculos, como uma mina de
águas doces e cristalinas...
Ao
longo do caminho, riachos se lançavam em sua corrente, adensando o leito do
rio, levando de roldão folhas, galhos e pequenos pássaros e insetos...
Nas
suas margens, ervas, flores e barrancos se deslocavam em aluviões, arrancando
pedras em sua passagem... Frágeis e pequenas criaturas eram esmagadas, porque
penduradas nos galhos à beira da volumosa torrente...
As
pedras em seu leito, de todos os tamanhos, tinham cada uma sua própria estória
de vida... Algumas chegaram trazidas pelas enchentes... Outras, despencaram de
suas margens ao impulso das águas descontroladas...
Não
havia segurança... As pedras podiam ser surpreendidas, a qualquer momento, pela
força dos ventos sobre as águas, pelo mover contínuo das intempéries...
As
pedras são como os seres humanos, tomados pelos sentimentos, paixões e impulsos
de suas naturezas... Torrentes do Tempo, guerras, desesperos da existência,
apelos da sobrevivência arrebatam vidas...
Loucas
pedras do rio da vida, sem pensar, dominadas pelo medo, se lançam na correnteza
do Tempo!
Pobres
seres humanos, subjugados pela dor e sofrimento, envelhecidos, ou mesmo jovens
e crianças, ceifados pela maldade alheia, ao sabor do Tempo!
As pedras do rio da vida, por
maiores que sejam, são indefesas; os cascalhos, pedras partidas pela ação do Tempo,
são as mais vulneráveis; a qualquer movimento repentino das águas desaparecem
em seus turbilhões...
A
velocidade das águas, sem controle, sem freios, ninguém consegue deter; porque
o Tempo controla a tudo e todos...
Só Deus, Senhor do Tempo, pode dominá-lo, revertê-lo, usá-lo a seu
favor; porque tem em suas mãos as rédeas do Tempo e da Vida...