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30 outubro 2025

AS PEDRAS DO RIO

 

AS PEDRAS DO RIO

                                                                                               Maria da Glória Colucci

 

                                    Era apenas um tímido olho d’água...

                                    Jorrou à sombra de arbustos e foi evoluindo em seu curso em direção ao mar...

                                    Sua nascente borbulhava em pequenas ondas, formando círculos, como uma mina de águas doces e cristalinas...

                                    Ao longo do caminho, riachos se lançavam em sua corrente, adensando o leito do rio, levando de roldão folhas, galhos e pequenos pássaros e insetos...

                                    Nas suas margens, ervas, flores e barrancos se deslocavam em aluviões, arrancando pedras em sua passagem... Frágeis e pequenas criaturas eram esmagadas, porque penduradas nos galhos à beira da volumosa torrente...

                                    As pedras em seu leito, de todos os tamanhos, tinham cada uma sua própria estória de vida... Algumas chegaram trazidas pelas enchentes... Outras, despencaram de suas margens ao impulso das águas descontroladas...

                                    Não havia segurança... As pedras podiam ser surpreendidas, a qualquer momento, pela força dos ventos sobre as águas, pelo mover contínuo das intempéries...

                                    As pedras são como os seres humanos, tomados pelos sentimentos, paixões e impulsos de suas naturezas... Torrentes do Tempo, guerras, desesperos da existência, apelos da sobrevivência arrebatam vidas...

                                    Loucas pedras do rio da vida, sem pensar, dominadas pelo medo, se lançam na correnteza do Tempo!

                                    Pobres seres humanos, subjugados pela dor e sofrimento, envelhecidos, ou mesmo jovens e crianças, ceifados pela maldade alheia, ao sabor do Tempo! 

                                    As pedras do rio da vida, por maiores que sejam, são indefesas; os cascalhos, pedras partidas pela ação do Tempo, são as mais vulneráveis; a qualquer movimento repentino das águas desaparecem em seus turbilhões...

                                    A velocidade das águas, sem controle, sem freios, ninguém consegue deter; porque o Tempo controla a tudo e todos...

 

 

 

Só Deus, Senhor do Tempo, pode dominá-lo, revertê-lo, usá-lo a seu favor; porque tem em suas mãos as rédeas do Tempo e da Vida...