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17 novembro 2025

A COBRA E O VAGALUME

 

A COBRA E O VAGALUME

                                                                                                    Maria da Glória Colucci

 

 

            A cobra desfilava lentamente... Sentia-se bela e poderosa, afinal, por onde passava despertava medo. Sua arma secreta, o veneno mortal que injetava em suas vítimas, não era visível, mas todos o temiam...

 

            Todavia, por entre os arbustos voava o vagalume. Cuidadoso e humilde, evitava ser visto e até mesmo devorado... pousava cauteloso nos arbustos e escondia-se, camuflado em suas discretas cores, mas sua luz própria o denunciava...

 

            Cheia de inveja, a cobra não admitia que as atenções fossem divididas com um minúsculo inseto... Não aceitava que seu temido poder não destruísse o vagalume. Odiava-o. Foi, então, que resolveu atingi-lo com um jato do seu malcheiroso veneno...

 

            Pressentindo os ardis da cobra, o vagalume alçou mais alto o voo, quando, então, seu brilho transpareceu ainda mais...

 

            A cobra, em seu esforço perverso, desequilibrou-se e seu corpo viscoso caiu sobre um denso espinheiro...; ferida em seu corpo, muito mais em seu orgulho, desistiu do malfadado bote...

 

            Por sua vez, o vagalume continuou seu discreto e brilhante percurso..., voando cada vez mais alto. 

 

 

“A inveja é o veneno dos medíocres, alimentado pelo orgulho e incompetência.”