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24 novembro 2025

NA CORDA BAMBA

 

NA CORDA BAMBA

                                                       Maria da Glória Colucci

 

 

                                    Uma bela jovem! – diziam os amigos.

                                    Além de ser inteligente! – acrescentavam os mais próximos e parentes.

                                    Mais bela do que inteligente!... – murmuravam os invejosos...

                                    De fato, divergências de opinião à parte, sua fama era mais pela beleza e elegância, do que por suas aptidões intelectuais...

                                    Porém, em um mundo digital, se a inteligência faltar, basta se safar da própria ignorância e arriscar-se, usando a Inteligência Artificial (IA)...

                                    Seguindo carreira de sucesso e admiração dos seus seguidores na internet, a jovem, que se pode identificar como Belarmina, qual seja “Bela Menina”, assim continuou vivendo...

                                    Com a maturidade chegando...; lembrava-se, com frequência, de conhecido provérbio, citado pelos mais antigos:

                                    – Nem tudo o que reluz é ouro!

                                    Pensava, consigo mesma, que tendo apenas a aparência física com o que contar e poucos recursos intelectuais, seus dias de “falso brilho” estavam por findar.

                                    Sua verdadeira natureza, baseada na beleza e frivolidade digital, estava aparecendo a olhos vistos dos seus seguidores e “admiradores”. 

                                    Procurando manter-se na “crista da onda”, sentia que a cada dia sua desatualização era gritante.

                                    Começou por cogitar de mudanças na aparência física, mediante cirurgias plásticas, exercícios nas academias, medicamentos emagrecedores etc...

                                    Estava instalada a crise da meia idade!

                                    Quantos desafios?!

                                    Procurou uma consultora de moda, recebendo orientação sobre como vestir-se, com mais moderação, discretamente, sem decotes profundos demais, ou minissaias...

                                    Consultando uma psicóloga, entendeu que, em tudo, uma estória de vida não se constrói de uma hora para outra...

                                    É preciso sintonia consigo mesma e os valores que nortearam toda uma vida.

                                    Foi, com o tempo, aprendendo a viver e a respeitar-se, dando valor a si mesma; ao seu passado, escolhas e amizades...

                                    Descobriu, então, que havia vivido um grande teatro, procurando agradar mais aos outros; do que dirigir sua profissão e vida por princípios, em bases morais, como fora educada por seus pais.

                                    Deu-se conta que precisaria voltar ao começo de tudo, retomando antigos marcos de família e reatando laços afetivos desprezados...

                                    Telefonou para velhos conhecidos, insistindo na importância de suas presenças... e festejou, com alegria, os seus 50 anos!

                                    Notou que muitos dos convidados pareciam confortáveis em suas idades; com as chamadas “rugas de expressão”, alguns mais calvos, mais gordos, mais envelhecidos...   

                                    Percebeu que alguns, mesmo insistentemente convidados, não vieram! – Por quê? – perguntou-se, entristecida... Será que não lhes dei a merecida atenção e afeto? – indagou-se...

                                    Ao final do dia, pode entender-se que se manter vivo e participante, é uma arte, quase circense; qual seja, manter-se na “corda-bamba”, sobre a velocidade do Tempo!

                                   

 

Viver é a arte de superar com coragem, dia após dia, os conflitos existenciais; equilibrando-se sobre o abismo da passagem do Tempo.