NA
CORDA BAMBA
Maria
da Glória Colucci
Uma
bela jovem! – diziam os amigos.
Além
de ser inteligente! – acrescentavam os mais próximos e parentes.
Mais
bela do que inteligente!... – murmuravam os invejosos...
De
fato, divergências de opinião à parte, sua fama era mais pela beleza e
elegância, do que por suas aptidões intelectuais...
Porém,
em um mundo digital, se a inteligência faltar, basta se safar da própria
ignorância e arriscar-se, usando a Inteligência Artificial (IA)...
Seguindo
carreira de sucesso e admiração dos seus seguidores na internet, a
jovem, que se pode identificar como Belarmina, qual seja “Bela Menina”, assim
continuou vivendo...
Com
a maturidade chegando...; lembrava-se, com frequência, de conhecido provérbio,
citado pelos mais antigos:
–
Nem tudo o que reluz é ouro!
Pensava,
consigo mesma, que tendo apenas a aparência física com o que contar e poucos
recursos intelectuais, seus dias de “falso brilho” estavam por findar.
Sua
verdadeira natureza, baseada na beleza e frivolidade digital, estava aparecendo
a olhos vistos dos seus seguidores e “admiradores”.
Procurando
manter-se na “crista da onda”, sentia que a cada dia sua desatualização era
gritante.
Começou
por cogitar de mudanças na aparência física, mediante cirurgias plásticas,
exercícios nas academias, medicamentos emagrecedores etc...
Estava
instalada a crise da meia idade!
Quantos
desafios?!
Procurou
uma consultora de moda, recebendo orientação sobre como vestir-se, com mais
moderação, discretamente, sem decotes profundos demais, ou minissaias...
Consultando
uma psicóloga, entendeu que, em tudo, uma estória de vida não se constrói de
uma hora para outra...
É
preciso sintonia consigo mesma e os valores que nortearam toda uma vida.
Foi,
com o tempo, aprendendo a viver e a respeitar-se, dando valor a si mesma; ao
seu passado, escolhas e amizades...
Descobriu,
então, que havia vivido um grande teatro, procurando agradar mais aos outros;
do que dirigir sua profissão e vida por princípios, em bases morais, como fora
educada por seus pais.
Deu-se
conta que precisaria voltar ao começo de tudo, retomando antigos marcos de
família e reatando laços afetivos desprezados...
Telefonou
para velhos conhecidos, insistindo na importância de suas presenças... e
festejou, com alegria, os seus 50 anos!
Notou
que muitos dos convidados pareciam confortáveis em suas idades; com as chamadas
“rugas de expressão”, alguns mais calvos, mais gordos, mais envelhecidos...
Percebeu
que alguns, mesmo insistentemente convidados, não vieram! – Por quê? –
perguntou-se, entristecida... Será que não lhes dei a merecida atenção e afeto?
– indagou-se...
Ao
final do dia, pode entender-se que se manter vivo e participante, é uma arte,
quase circense; qual seja, manter-se na “corda-bamba”, sobre a velocidade do
Tempo!
Viver é a arte de superar com coragem,
dia após dia, os conflitos existenciais; equilibrando-se sobre o abismo da
passagem do Tempo.