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24 novembro 2025

O ORGULHO E A MODÉSTIA

 

O ORGULHO E A MODÉSTIA

                                                                                                                   Maria da Glória Colucci

 

                                    O Orgulho e a Modéstia seguiam juntos pelo caminho da vida. Haviam se encontrado, por acaso, em longa peregrinação ao redor do mundo.

                                    Belo, garboso e inteligente, o Orgulho não deixava passar nenhuma oportunidade de apresentar suas qualidades ao “grande público”...

                                    Vivia como se estivesse sempre sob os aplausos de “deslumbrada” plateia no palco da vida, interpretando o papel de protagonista em qualquer cenário...

                                    Em suas andanças, encontrou a Modéstia. Discreta, jovem e bela, não parecia atrair muitos olhares; embora, aqueles que a conheciam, a louvassem por seu talento e habilidades.

                                    No coração do Orgulho havia muito de si mesmo. Seus sucessos eram atribuídos às próprias conquistas e, os fracassos, a seu ver, eram causados por invejosos...

                                    Por outro lado, a Modéstia creditava os seus sucessos à ajuda de amigos e, as derrotas, a ela mesma; procurando aprender com os próprios erros.

                                    Continuaram seguindo, lado a lado, e, em diversas ocasiões, a Modéstia procurou dialogar com o Orgulho, mas, este, não lhe dava atenção, sempre magoado com o que os outros diziam...

                                    O Orgulho costumava atribuir às pessoas que o rodeavam os tropeços de sua carreira profissional, casamento, emoções etc.

                                    A Modéstia, por seu turno, perdoava e se esforçava para compreender os deslizes alheios, como fraquezas humanas, vivendo de modo a espalhar a paz e o bem-estar.

                                    Longos anos se passaram.

                                                                       Um dia, o Orgulho e a Modéstia se depararam, diante de duas portas, que precisavam escolher para continuar a jornada.

                                    Uma era alta, com os portais de madeira talhados em cuidadosa marcenaria; com filetes de ouro incrustados e pedras preciosas. Majestosa, bela e deslumbrante.

                                    A outra, da mesma altura, com seus portais lisos, retos e discretos, sem quaisquer adereços ou enfeites. Simples, polida e despojada.

                                    Os viajantes, Orgulho e Modéstia, pararam para ler o aviso, postado ao alto das duas portas:  

                                    - Escolha uma e entre!

                                    O Orgulho não teve dúvidas. A porta mais alta e exuberante combinava com ele: pessoa brilhante, cheia de esperteza e, então, entrou...

                                    A Modéstia, em momento algum, duvidou que a porta desprovida de atrativos era a sua “cara” e, então, entrou...

                                    Quando as duas portas se fecharam, o Orgulho descobriu, em pânico, que estava no inferno e, a Modéstia, por sua vez, percebeu que chegara ao Paraíso!

                                    O Orgulho transforma a vida da pessoa em um verdadeiro inferno, afastando amigos e isolando-a na cegueira de suas convicções erradas.

                                    A Modéstia permite que reconheçamos os próprios erros e perdoemos os alheios, porque são tão frágeis como nós mesmos.

 

 

 

O orgulho cega os olhos, endurecendo o coração e sufocando a sensibilidade, em prejuízo próprio e alheio.