O ORGULHO E
A MODÉSTIA
Maria da
Glória Colucci
O Orgulho e
a Modéstia seguiam juntos pelo caminho da vida. Haviam se encontrado, por
acaso, em longa peregrinação ao redor do mundo.
Belo,
garboso e inteligente, o Orgulho não deixava passar nenhuma oportunidade de
apresentar suas qualidades ao “grande público”...
Vivia como
se estivesse sempre sob os aplausos de “deslumbrada” plateia no palco da vida,
interpretando o papel de protagonista em qualquer cenário...
Em suas
andanças, encontrou a Modéstia. Discreta, jovem e bela, não parecia atrair
muitos olhares; embora, aqueles que a conheciam, a louvassem por seu talento e
habilidades.
No coração
do Orgulho havia muito de si mesmo. Seus sucessos eram atribuídos às próprias
conquistas e, os fracassos, a seu ver, eram causados por invejosos...
Por outro
lado, a Modéstia creditava os seus sucessos à ajuda de amigos e, as derrotas, a
ela mesma; procurando aprender com os próprios erros.
Continuaram
seguindo, lado a lado, e, em diversas ocasiões, a Modéstia procurou dialogar
com o Orgulho, mas, este, não lhe dava atenção, sempre magoado com o que os
outros diziam...
O Orgulho
costumava atribuir às pessoas que o rodeavam os tropeços de sua carreira
profissional, casamento, emoções etc.
A Modéstia,
por seu turno, perdoava e se esforçava para compreender os deslizes alheios,
como fraquezas humanas, vivendo de modo a espalhar a paz e o bem-estar.
Longos anos
se passaram.
Um
dia, o Orgulho e a Modéstia se depararam, diante de duas portas, que precisavam
escolher para continuar a jornada.
Uma era
alta, com os portais de madeira talhados em cuidadosa marcenaria; com filetes
de ouro incrustados e pedras preciosas. Majestosa, bela e deslumbrante.
A outra, da
mesma altura, com seus portais lisos, retos e discretos, sem quaisquer adereços
ou enfeites. Simples, polida e despojada.
Os
viajantes, Orgulho e Modéstia, pararam para ler o aviso, postado ao alto das
duas portas:
- Escolha
uma e entre!
O Orgulho
não teve dúvidas. A porta mais alta e exuberante combinava com ele: pessoa
brilhante, cheia de esperteza e, então, entrou...
A Modéstia,
em momento algum, duvidou que a porta desprovida de atrativos era a sua “cara”
e, então, entrou...
Quando as
duas portas se fecharam, o Orgulho descobriu, em pânico, que estava no inferno
e, a Modéstia, por sua vez, percebeu que chegara ao Paraíso!
O Orgulho
transforma a vida da pessoa em um verdadeiro inferno, afastando amigos e
isolando-a na cegueira de suas convicções erradas.
A Modéstia
permite que reconheçamos os próprios erros e perdoemos os alheios, porque são
tão frágeis como nós mesmos.
O orgulho cega os olhos, endurecendo o coração e sufocando a
sensibilidade, em prejuízo próprio e alheio.