O SAPO E A
MARGARIDA
Maria da
Glória Colucci
Em sua singela beleza, a delicada
margarida espreguiçava ao sol do amanhecer. Suas macias pétalas brancas
brilhavam sob os reflexos do cálido céu azul... Nada a importunava...
O sapo coaxava à beira do pequeno
riacho, escondido entre as pedras e plantas que o rodeavam...
Silencioso, o sapo começou a se
inquietar, em seus mais profundos pensamentos, sobre a delicadeza da margarida.
Indagava-se como em sua brancura
imaculada, apenas interrompida pelo suave amarelo da corola, a bela flor
suportava o ardor do sol...
Lembrou-se dos longos dias de
primavera, do frescor da brisa e como ele mesmo, quando o calor aumentava, se
refrescava nas águas do riacho...
Refletiu sobre sua aparência escura e esverdeada e o seu
corpo achatado e pequeno. Pareceu-lhe que a Natureza não lhe havia premiado com
nenhum atrativo..., deixando-o à deriva, feio e esquecido, entre as pedras de
um pequeno riacho.
Entardeceu. Imerso em sua autopiedade, o magoado sapo nem
notou que a bela margarida murchava sob o escaldante sol...
Ao amanhecer, a frágil flor foi podada pelo jardineiro e
toda sua beleza e frescor se foram...
Triste e envergonhado, o sapo compreendeu que cada ser
vivo ocupa no universo um espaço e tempo que o Criador lhe tiver concedido...
Pensou, agradecido:
– Nenhum ser vivo é melhor ou mais útil do que outro(s);
depende, apenas, de cada um desenvolver seus talentos, com gratidão e
humildade...
“Todo ser vivo nasce para realizar um propósito no mundo.”