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07 novembro 2025

O SAPO E A MARGARIDA

 

O SAPO E A MARGARIDA

                                                                                                           Maria da Glória Colucci

 

                                    Em sua singela beleza, a delicada margarida espreguiçava ao sol do amanhecer. Suas macias pétalas brancas brilhavam sob os reflexos do cálido céu azul... Nada a importunava...

                                    O sapo coaxava à beira do pequeno riacho, escondido entre as pedras e plantas que o rodeavam...

                                    Silencioso, o sapo começou a se inquietar, em seus mais profundos pensamentos, sobre a delicadeza da margarida.

                                    Indagava-se como em sua brancura imaculada, apenas interrompida pelo suave amarelo da corola, a bela flor suportava o ardor do sol...

                                    Lembrou-se dos longos dias de primavera, do frescor da brisa e como ele mesmo, quando o calor aumentava, se refrescava nas águas do riacho...

                        Refletiu sobre sua aparência escura e esverdeada e o seu corpo achatado e pequeno. Pareceu-lhe que a Natureza não lhe havia premiado com nenhum atrativo..., deixando-o à deriva, feio e esquecido, entre as pedras de um pequeno riacho.

                        Entardeceu. Imerso em sua autopiedade, o magoado sapo nem notou que a bela margarida murchava sob o escaldante sol...

                        Ao amanhecer, a frágil flor foi podada pelo jardineiro e toda sua beleza e frescor se foram...

                        Triste e envergonhado, o sapo compreendeu que cada ser vivo ocupa no universo um espaço e tempo que o Criador lhe tiver concedido...

                        Pensou, agradecido:

                        – Nenhum ser vivo é melhor ou mais útil do que outro(s); depende, apenas, de cada um desenvolver seus talentos, com gratidão e humildade...

 

 

 

“Todo ser vivo nasce para realizar um propósito no mundo.”