VERDADE
E JUSTIÇA
Maria
da Glória Colucci
Procurando
ensinar ao filho de 7 anos sobre o dever de dizer sempre a Verdade e afastar-se
da Mentira, um pai contou-lhe a seguinte estória:
A
Verdade e a Mentira saíram pelo mundo, em uma espécie de torneio, para ver quem
conseguiria maior número de seguidores.
Chegaram
ambas a pequena cidade do interior e decidiram que cada uma adotaria suas
próprias estratégias...
A
Mentira bateu à porta de uma mansão, onde lhe pareceu que haveria recursos
suficientes para acomodá-la, e ser alimentada, sem causar maiores transtornos.
Quando
atenderam à porta, a Mentira simulou, com um ar de sofrimento, que havia sido
assaltada e, portanto, não dispunha de meios para se hospedar em local pago.
Foi
acolhida, muito bem tratada, até porque suas vestes eram caras, de conhecida
“marca”, que só os bem sucedidos, financeiramente, poderiam comprá-las...
Bem
acomodada, a Mentira permaneceu no local por demorado e longo tempo...
A
Verdade, por seu lado, não recebeu nenhum convite para pernoitar e nem lhe
ofereceram alimentos. Talvez, porque suas roupas fossem simples, de baixo
custo, sem ostentar etiqueta de luxo...
Desanimada,
a Verdade resolveu encostar-se à mais frondosa árvore que encontrou à beira da
estrada...
Temendo
por sua segurança, manteve-se alerta, cochilando apenas o suficiente para
refazer as forças.
Durante
a noite, notou que um viajante a observava e, de sobressalto, levantou-se,
indagando-lhe o que desejava.
–
Sou o novo Juiz da comarca. Acabei de ser transferido e quero conhecer, antes
de mais nada, os moradores e o lugar onde exercerei meu ofício; respondeu-lhe o
viajante.
–
E, quem é a senhora? De onde veio? Por que pernoita ao relento? Indagou-lhe o
novo Juiz...
–
Sou a Verdade! Ando perambulando pelo mundo à procura de pessoas que me
defendam e me acolham em suas famílias.
O
Juiz, então, lhe indagou:
–
Verdade, gostaria de trabalhar comigo? Ajudar-me na difícil tarefa de afastar a
Mentira e chegar aos fatos reais?
Na
manhã seguinte, o novo Juiz da comarca e a Verdade se dirigiram, juntos, ao
prédio da Justiça e se apresentaram aos administradores do local.
Alojados,
cada um em seus aposentos, de acordo com suas funções, de Juiz e de Assessora,
seguiram em seus misteres.
Quanto
à Mentira, foi desbancada pelos que a hospedaram; quando descobriram que não
havia sido assaltada; além de suas “caras vestes” terem sido roubadas de alguém
no caminho...
Por
tal motivo, até os dias de hoje, a Verdade e a Justiça andam sempre juntas;
quando a Mentira é desmascarada... no processo judicial.
A Verdade sempre vence, se
não for pela mão da Justiça dos homens, é alcançada pela Justiça de Deus.