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28 dezembro 2025

 

VERDADE E JUSTIÇA

                                                                               Maria da Glória Colucci

 

                                    Procurando ensinar ao filho de 7 anos sobre o dever de dizer sempre a Verdade e afastar-se da Mentira, um pai contou-lhe a seguinte estória:

                                    A Verdade e a Mentira saíram pelo mundo, em uma espécie de torneio, para ver quem conseguiria maior número de seguidores.

                                    Chegaram ambas a pequena cidade do interior e decidiram que cada uma adotaria suas próprias estratégias...

                                    A Mentira bateu à porta de uma mansão, onde lhe pareceu que haveria recursos suficientes para acomodá-la, e ser alimentada, sem causar maiores transtornos.

                                    Quando atenderam à porta, a Mentira simulou, com um ar de sofrimento, que havia sido assaltada e, portanto, não dispunha de meios para se hospedar em local pago.

                                    Foi acolhida, muito bem tratada, até porque suas vestes eram caras, de conhecida “marca”, que só os bem sucedidos, financeiramente, poderiam comprá-las...

                                    Bem acomodada, a Mentira permaneceu no local por demorado e longo tempo...

                                    A Verdade, por seu lado, não recebeu nenhum convite para pernoitar e nem lhe ofereceram alimentos. Talvez, porque suas roupas fossem simples, de baixo custo, sem ostentar etiqueta de luxo...

                                    Desanimada, a Verdade resolveu encostar-se à mais frondosa árvore que encontrou à beira da estrada...

                                    Temendo por sua segurança, manteve-se alerta, cochilando apenas o suficiente para refazer as forças.

                                    Durante a noite, notou que um viajante a observava e, de sobressalto, levantou-se, indagando-lhe o que desejava.

                                    – Sou o novo Juiz da comarca. Acabei de ser transferido e quero conhecer, antes de mais nada, os moradores e o lugar onde exercerei meu ofício; respondeu-lhe o viajante.

                                    – E, quem é a senhora? De onde veio? Por que pernoita ao relento? Indagou-lhe o novo Juiz...

                                    – Sou a Verdade! Ando perambulando pelo mundo à procura de pessoas que me defendam e me acolham em suas famílias.

                                    O Juiz, então, lhe indagou:

                                    – Verdade, gostaria de trabalhar comigo? Ajudar-me na difícil tarefa de afastar a Mentira e chegar aos fatos reais?

                                    Na manhã seguinte, o novo Juiz da comarca e a Verdade se dirigiram, juntos, ao prédio da Justiça e se apresentaram aos administradores do local.

                                    Alojados, cada um em seus aposentos, de acordo com suas funções, de Juiz e de Assessora, seguiram em seus misteres.

                                    Quanto à Mentira, foi desbancada pelos que a hospedaram; quando descobriram que não havia sido assaltada; além de suas “caras vestes” terem sido roubadas de alguém no caminho...

                                    Por tal motivo, até os dias de hoje, a Verdade e a Justiça andam sempre juntas; quando a Mentira é desmascarada... no processo judicial.

 

 

A Verdade sempre vence, se não for pela mão da Justiça dos homens, é alcançada pela Justiça de Deus.