A MONTANHA E
A TARTARUGA
Maria da
Glória Colucci
A solitária tartaruga sempre viveu ao pé da montanha,
rodeada de árvores, cercada por passarinhos e rios.
Fora
bela, em sua juventude, como são todas as tartarugas... O casco lustroso, os
olhos límpidos e o passo suave, porém, mais rápido...
Formou
sua própria família... Mas, um a um partiu; deixando-a sozinha em sua morada.
Os
dias transcorreram em conhecida e tediosa rotina...
Deixou
suas ocupações habituais, não por vontade sua, mas, porque foi substituída por
outras tartarugas, mais rápidas, mais atualizadas, mais jovens e belas.
Nunca
foi “modernosa”, nem “chiquetosa”; mas, tradicional e elegante, procurando
respeitar a discrição, em seus trajes e modos... Com o envelhecimento foi sendo
considerada antiga, superada, fora de moda...
Com
o peso da idade, a cansada tartaruga, ainda ao pé da elevada montanha, resolveu
subi-la, como último desafio a ser enfrentado...
Como
começar, se já tão lenta, dolorida e sem forças?
A
tartaruga procurou encontrar estratégias... deveria começar ao amanhecer?
Porque a elevada montanha não seria vencida em um dia! Mas, escalando-a
enfrentaria a noite sem ter chegado ao topo.
Pensou
em desanimar... Já se programara tantas vezes... Era um projeto da sua
juventude, sempre adiado...
Agora, na velhice, deveria ser o seu projeto principal:
subir a montanha e continuar no alto dos seus sonhos..., sempre em movimento...
Recordou-se do conselho de seu pai: “Para terminar, basta
começar!”
Assim,
em um alvorecer luminoso, a velha tartaruga subiu a montanha a seu jeito:
devagar... devagar sempre... passo a passo...
Enfim,
chegou ao topo e de lá nunca mais desceu!
A vida é uma desafiadora montanha, que precisa ser enfrentada com
coragem; nunca desanimando, por mais alto que seja o sonho!