ALEGORIAS. CONTOS. CRÔNICAS. FÁBULAS. MEMÓRIAS.

07 novembro 2025

O CARROSEL DA VIDA

 

O CARROSSEL DA VIDA

                                                                                                       Maria da Glória Colucci

 

                                    Já escurecia quando ela chegou ao parque de diversões...

                                    As luzes do carrossel brilhavam... Raios luminosos se espalhavam ao giro do brinquedo...

                                    Sentou-se para observar os que chegavam... Crianças e seus acompanhantes olhavam extasiados o giro crescente, as luzes e a música...

                                    De repente, parece que sua alma saiu a passear no parque... Quantos divertimentos..., carrinhos de pipoca, algodão doce, sucos, refrigerantes, doces...

                                    Voltou à infância... Recordou quando, ainda criança, sentara em um dos cavalinhos e sua mãe a acompanhava... Era tão inocente e feliz...

                                    Depois, ao passar do tempo, as ilusões foram se perdendo... As expectativas diminuíram... Só a esperança de melhores dias ainda as acalentavam; mas, comparou todos os carrosséis que vira, em suas viagens...

                                    Não seriam todos iguais? Pelo menos, não muito parecidos, embora alguns, lindamente decorados, outros, nem tanto... Mas, o giro, os assentos, a música... pareciam ser a alma desse mágico brinquedo... Começou a refletir nas afinidades que teriam com a vida...

                                    Notou que não importa onde, o carrossel da vida gira sempre, sempre, sem parar..., quer seja em um modesto parque, ou em Paris, Londres ou Madrid...

                                    As pessoas vivem suas angústias, e os grandes giros das suas existências, às vezes lentos, outras, violentos e abruptos, mas o carrossel não pára...

                                    A música escolhida para ocultar os gritos de alegria, (ou de dor) dos brincantes, depende do gosto de cada um..., mas, o final é sempre o mesmo...

                                    As figuras, cavalinhos, carrinhos, ou desenhos animados, apenas escondem a velocidade do tempo; o desgaste das pinturas, a cor dos personagens... Tudo se desbota e desaparece...

                                    Levantou-se para ir embora... Seu coração, mais apertado do que quando chegou, quando viera com a intenção de alegrar-se, parecia entorpecido... Lágrimas escorriam pelo seu rosto...

                                    Retornou para casa; tentando voltar à rotina; mas sua vida nunca mais foi a mesma...

 

 

 

No carrossel de cada vida o começo é o mesmo, mas o giro e a música são diferentes...

O SAPO E A MARGARIDA

 

O SAPO E A MARGARIDA

                                                                                                           Maria da Glória Colucci

 

                                    Em sua singela beleza, a delicada margarida espreguiçava ao sol do amanhecer. Suas macias pétalas brancas brilhavam sob os reflexos do cálido céu azul... Nada a importunava...

                                    O sapo coaxava à beira do pequeno riacho, escondido entre as pedras e plantas que o rodeavam...

                                    Silencioso, o sapo começou a se inquietar, em seus mais profundos pensamentos, sobre a delicadeza da margarida.

                                    Indagava-se como em sua brancura imaculada, apenas interrompida pelo suave amarelo da corola, a bela flor suportava o ardor do sol...

                                    Lembrou-se dos longos dias de primavera, do frescor da brisa e como ele mesmo, quando o calor aumentava, se refrescava nas águas do riacho...

                        Refletiu sobre sua aparência escura e esverdeada e o seu corpo achatado e pequeno. Pareceu-lhe que a Natureza não lhe havia premiado com nenhum atrativo..., deixando-o à deriva, feio e esquecido, entre as pedras de um pequeno riacho.

                        Entardeceu. Imerso em sua autopiedade, o magoado sapo nem notou que a bela margarida murchava sob o escaldante sol...

                        Ao amanhecer, a frágil flor foi podada pelo jardineiro e toda sua beleza e frescor se foram...

                        Triste e envergonhado, o sapo compreendeu que cada ser vivo ocupa no universo um espaço e tempo que o Criador lhe tiver concedido...

                        Pensou, agradecido:

                        – Nenhum ser vivo é melhor ou mais útil do que outro(s); depende, apenas, de cada um desenvolver seus talentos, com gratidão e humildade...

 

 

 

“Todo ser vivo nasce para realizar um propósito no mundo.”