A COBRA E O
VAGALUME
Maria da
Glória Colucci
A cobra desfilava
lentamente... Sentia-se bela e poderosa, afinal, por onde passava despertava
medo. Sua arma secreta, o veneno mortal que injetava em suas vítimas, não era
visível, mas todos o temiam...
Todavia, por entre os
arbustos voava o vagalume. Cuidadoso e humilde, evitava ser visto e até mesmo
devorado... pousava cauteloso nos arbustos e escondia-se, camuflado em suas
discretas cores, mas sua luz própria o denunciava...
Cheia de inveja, a
cobra não admitia que as atenções fossem divididas com um minúsculo inseto...
Não aceitava que seu temido poder não destruísse o vagalume. Odiava-o. Foi,
então, que resolveu atingi-lo com um jato do seu malcheiroso veneno...
Pressentindo os ardis
da cobra, o vagalume alçou mais alto o voo, quando, então, seu brilho
transpareceu ainda mais...
A cobra, em seu esforço
perverso, desequilibrou-se e seu corpo viscoso caiu sobre um denso
espinheiro...; ferida em seu corpo, muito mais em seu orgulho, desistiu do
malfadado bote...
Por sua vez, o vagalume
continuou seu discreto e brilhante percurso..., voando cada vez mais alto.
“A inveja é o veneno dos medíocres, alimentado pelo orgulho e
incompetência.”