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13 janeiro 2026

A MULA E SUAS CARGAS

 

A MULA E SUAS CARGAS

                                                                  Maria da Glória Colucci

 

 

                                    A Mula carregava no lombo pesada carga, distribuída em dois grandes sacos de estopa, de igual tamanho.

                                    Do lado esquerdo, estava o carregamento de areia e, do direito, de açúcar.

                                    Fazia este trajeto todos os dias, levando ao seu destino as mesmas mercadorias, do mesmo peso e textura.

                                    Começou a reparar, embora sendo animal não muito inteligente, que havia dias que o peso parecia aumentar...

                                    Pensou com seus “botões” que se soubesse falar, perguntaria ao condutor que a acompanhava porque isso acontecia; porém, mesmo que falasse, não teria tal audácia, porque era homem irado, violento, de “maus bofes”, como diziam...

                                    Havia muitos que o viam como verdadeiro verdugo, perverso e sem misericórdia, pois que chicoteava os animais de carga, sem explicação ou motivo...

                                    Assim, passaram-se meses e anos e a Mula, envelhecendo, pediu ao Criador que lhe resolvesse, ainda que só no pensamento, este enigma, que a acompanhara por toda a vida... 

                                    O Senhor Deus, Todo Poderoso, antes de responder às suas indagações, lhe fez outra inquietante pergunta:

                                    – Mula, como és obediente, submissa e laboriosa, observe quando acontece isso:     em dia de chuva ou de sol?

                                    Destarte, ainda um tempo se passou, até que a Mula e seu condutor, foram surpreendidos por grande tempestade no caminho, sem que houvesse onde se abrigar...

                                    À medida que andava, a Mula percebeu que a carga do lado direito tinha, praticamente, desaparecido ao longo do trajeto e o finíssimo açúcar dissolvido...

                                    No entanto, do lado esquerdo, o peso só aumentava, porque a grossa areia havia se encharcado, dobrando o peso.

                                    Neste instante, a Mula, então, entendeu que já podia responder à pergunta do Altíssimo! O que fez, em pensamento, de imediato...

                                    Mas, não conseguiu compreender porque o açúcar se dissolvia e a grossa areia, não; mais pesada ficava?!

                                    O Todo Poderoso, vendo a sinceridade de seu coração humilde, então, lhe respondeu:

                                    – A chuva torrencial são as oportunidades que todos os seres humanos recebem de Deus, de pedir e oferecer perdão, dissolvendo as mágoas recíprocas, adoçando a vida e o coração.

                                    E continuou em sua soberana lição, o Divino Criador:

                                    – A areia que não se desfaz, ainda que sob intensa chuva de oportunidades, é o ódio; que muitos fazem questão de reter e nunca perdoar. Com o passar do tempo, mais e mais, pesado o ódio vai ficando...

                                    Estarrecida, a Mula, ainda, pensou:

                                    – E o condutor que a vergastava sem parar, quem seria?  

                                    Respondeu, ainda, o Maravilhoso Deus:

                                    – É o Mal, que açoita noite e dia os corações endurecidos; ao peso do ódio que nutrem por outros seres humanos e, até mesmo, por animais...

                                    Abaixando-se ao chão, a Mula lançou para longe o saco de areia grossa, pesada e suja, e saiu cavalgando livremente...

                                    Olhando para trás, viu que o condutor desaparecera, e então, sentiu-se leve como uma pluma... podia até voar!...

                                    E foi trotando, alegremente, ficando a cada passo mais bela, mais atraente e bonita... verificando, então, que não era mais uma Mula, mas um Ser Humano!

 

 

O perdão é uma dádiva divina, que remove o ódio e transforma a vida do ser humano.