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13 janeiro 2026

URUBUSSERVANDO

                                                             URUBUSSERVANDO

                                                              Maria da Glória Colucci

 

 

                                    Dizem que há uma lenda urbana muito repetida, pela sua criatividade, quanto à origem das redes sociais...

                                    Ao que consta, até mesmo o modo como hoje divulgam a intimidade das pessoas, devassando suas vidas, sem dó, nem piedade; é prática muito antiga.

                                    Sabe-se, em informações que passaram boca a boca, que um casal de urubus, recém-casados, instalou-se em uma construção abandonada, em um bairro nobre da cidade e, sem diversões, inventou um jogo, barato e muito dinâmico:

                                    – Bisbilhotar a vida alheia!...

                                    O cenário era propício, principalmente, à noite, quando o poleiro dos urubus (o prédio em construção) ficava às escuras...

                                    Podia-se ver, como em tela de cinema, tudo o que se passava nos lares dos moradores, em seus quartos e banheiros...

                                    Desavisados, os inocentes senhores e senhoras e seus filhos, ficavam expostos aos maldosos olhos do casal de urubus...

                                    Não satisfeitos de se alimentar com a vida alheia e seus conflitos, deleitando-se com a “carniça” moral de muitos dos desconhecidos; o casal de urubus resolveu convidar seus parentes, amigos e conhecidos para o divertido jogo...

                                    Assim, a “urubusservação” que era feita apenas por dois urubus, alastrou-se por muitos quarteirões...

                                    Foi aí que surgiram a internet e as redes sociais...

                                    O sucesso da troca de novidades, criadas e inventadas sem qualquer base de verdade, se tornaram o “must” nas preferências dos “urubunautas” ...; nascendo aí as fakenews...

                                    Aproveitando-se do retorno financeiro das mentiras, “falar da vida alheia” tornou-se um negócio rentável.

                                    Grande descoberta! Ninguém mais da “urubuzada” quis se empregar no presencial, porque trabalhar na “urubusservação” dava muitos likes e lucros.

                                    “Ideias novas”, frutos de atividades legais, foram roubadas e seus autores perderam seus direitos, sem ter como reconquistá-los, judicialmente, pela falta de provas, consideradas “robustas” ...

                                    Já cansados e envelhecidos, o casal de urubus constatou que uma brincadeira, despretensiosa, ao que parecia, ampliou-se causando muitos danos à famílias humanas e de outros urubus...

                                    Resolveram voltar para o campo e se alimentarem, apenas, da comida, que lhes era própria e lícita – carniça de animais mortos; e não mais se empanturrarem com a vida alheia...

                                    Mas, o mal já havia se alastrado...

                                    Ficaram aliviados quando, algum tempo depois, souberam que as autoridades estavam elaborando estudos para regulamentação das redes sociais...

                                    – Que assim seja! Pensaram!

                                    E nunca mais o casal de urubus foi visto.

 

 

                                                                        Antes que o mal cresça, corta-se sua cabeça!