DUAS
ROSAS
Maria da Glória Colucci
Viviam
sempre juntas na jardineira do apartamento.
Uma
era amarela...
A
outra branca...
Amigas desde sempre. Dividiam o
mesmo solo, água e sol... Inseparáveis.
Compartilhavam
o carinho da Velha Senhora... Sem preferências, cada uma a seu modo...
Um
dia, porém, a Rosa Amarela sentiu-se preterida...
Encheu-se
de ciúmes, sem motivos aparentes.
Sem
qualquer aviso ou razão plausível deixou de cumprimentar, ou até mesmo olhar,
para a Rosa Branca.
Com
sua longa experiência de janela, a Rosa Branca esperou que a crise de ciúmes da
Rosa Amarela passasse...
Porém,
a primavera e o verão se foram, e nada aconteceu...
A
Rosa Amarela permaneceu sombria e distante.
Entristecida
com a frieza da antiga amiga e parceira de janela, a Rosa Branca começou a
esmorecer.
Com
a chegada do inverno, recolheu a seiva que ainda lhe restara e, pouco a pouco,
foi secando, até que em pleno inverno desfaleceu...
A Velha
Senhora arrancou-a da jardineira e, ao puxá-la viu que suas raízes ainda
estavam entrelaçadas... às da amiga ciumenta...
Condoída,
a Velha Senhora pensou:
–
O que poderia ter feito? Como secara sem explicação? O que teria acontecido?
Decepcionada,
constatou que nada mais poderia fazer.
Na
manhã seguinte, ao despertar, a orgulhosa Rosa Amarela notou, com espanto, o
espaço vazio na jardineira...
Um
certo calafrio percorreu seus galhos e pétalas...
Foi
quando se deu conta da maldade que praticara contra a amiga e parceira de
vida...
Já
era tarde demais.
Não
haveria mais as conversas, a contemplação do pôr de sol juntas...
O
tempo havia passado tão rápido!
Por
que não demonstrou amor e afeto à Rosa Branca, como no passado?
Um
grande e imenso vazio se instalou em suas lindas pétalas amarelas, diante da
consciência de sua própria frieza e maldade extrema...
Aflita
se indagou por longos meses:
–
Será que poderia ter dado mais amor e atenção à amiga?
Nada
mais poderia ser feito!
“O ciúme é um veneno que corrói e
seca a seiva que alimenta o amor e o respeito entre as pessoas”.