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18 fevereiro 2026

O CACHO DE UVAS

 

O CACHO DE UVAS

                                                                       Maria da Glória Colucci

 

 

                                    A avó andava pela areia e admirava a beleza das águas esverdeadas, em suaves ondas, batendo nas pedras.

                                    Na agradável companhia de seu neto e filha, além de conhecidos e amigos, desfrutava dos calmos dias de férias.

                                    Observava a luminosidade cadente do sol, já se debruçando no horizonte...

                                    Quantas expectativas havia acumulado em sua vida e, agora, parecia que uma a uma se concretizavam.

                                    Os vendedores ambulantes ofereciam seus produtos, os mais variados, alguns pareciam deliciosos, outros nem tanto...

                                    Mas, todos, a seu próprio modo, estavam certos que seus quitutes, frutos, objetos praianos, seriam comprados pelos turistas...

                                    Houve, no entanto, uma banca de frutas, que chamou a atenção do menino, com uvas grandes, verdes e adocicadas, que estavam à venda por preço acessível.

                                    Ao levantar o cacho de uvas, retirando-o de seu acomodado espaço na banquinha, o menino verificou que as uvas, que estavam comprimidas na cesta, pareciam amassadas, descoradas, com uma coloração escura, típica das frutas estragadas pelo calor ou mesmo pelo decurso do tempo...

                                    A decepção em seu rosto adolescente foi perceptível; porque não havia outro lugar onde poderia comprar as saborosas uvas verdes...

                                    Perguntou à avó: – E agora, vó?

                                    Aproveitando o momento, e a oportunidade de ensinar-lhe algo para sua vida, disse-lhe:

                                    – Querido, mesmo nas decepções da vida, há sempre algo que se pode aprender!

                                    – Peça um desconto no preço, acrescentou; e retire as uvas estragadas, comendo as que estão em bom estado.

                                    Pagando o valor, o menino prosseguiu o passeio na companhia da avó e mãe, até o entardecer daquele sábado de verão.

                                    Refletindo sobre tão singela e antiga memória, a avó passou a valorizar as situações, mesmo as mais difíceis, procurando retirar algo de bom de cada momento vivido.

 

 

Em tudo existe uma oportunidade de crescimento, basta ter o coração aberto para aprender, e humildade para renunciar aos hábitos antigos.   

 

Em memória de Felipe Cezar

             (2008 - 2023)