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03 fevereiro 2026

VIOLETAS NA JANELA

 

VIOLETAS NA JANELA

                                                                                              Maria da Glória Colucci

 

 

                                    Quando os vasinhos chegaram, o inverno estava findando...

                                    Ainda eram pequenas mudinhas de violetas, uma branca e, a outra, lilás.

                                    Quem as visse ficaria tocado pela delicadeza e fragilidade de seus talos e folhinhas...

                                    Impulsionadas pelo frescor e luz da janela cresceram e se tornaram viçosas...

                                    A Velha Senhora amava-as com doçura, pela lembrança saudosa de quem as presenteara no passado...

                                    Observava seu crescimento, dia após dia, cuidando que tivessem água e luz suficientes...

                                    Mas, como todo ser vivo, um dia a violeta branca começou a definhar, atacada por pulgões, e não foi possível resgatá-la...

                                    A violeta lilás permaneceu saudável por longo tempo, sob os olhos amorosos da Velha Senhora...

                                    Movida pela beleza e solidão da violeta lilás, a Velha Senhora resolveu adquirir outros vasinhos, aumentando sua coleção e preenchendo os espaços do parapeito da janela...

                                    Feliz com a companhia de suas violetas, que alegravam o ambiente da sala de visitas, a Velha Senhora nem reparou a tempestade que se avizinhava...

                                    O vento que surgiu de repente, ela não sabia de onde, nem como se formaram as nuvens carregadas de chuva...

                                    Impactados, os vasinhos de violetas, mesmo protegidos pelo parapeito da janela e por um grosso plástico que os cobria, foram derrubados, um a um, de sua frágil proteção...

                                    Apenas ficou a antiga violeta lilás, a primeira de todas, isolada em seu vasinho...

                                    A Velha Senhora nunca compreendeu como a violeta lilás sobreviveu à fúria da tempestade...

                                    No seu íntimo, sabia que ela mesma, já enfrentara tantas tempestades, surgidas do nada... e sobrevivera...

                                    Decidiu que não mais voltaria a ter uma coleção como aquela, porque a dor da perda superou em muito a alegria da presença de seus preciosos vasinhos...

                                    Lembrou-se de todos os abandonos, despedidas, idas e vindas, em sua longa vida, e já não mais sentia vontade de reiniciar sua amada coleção...

                                    Sentou-se à beira da janela, em seu lugar preferido, na velha cadeira de balanço, à espera de um milagre...

                                    Seu coração apertou-se quando se lembrou que aprendera que as violetas simbolizam a humildade e, também, a saudade...

                                    Foram, apenas, essas que lhe restaram...

 

 

Todo amor dedicado às plantas e animais é retribuído com a silenciosa companhia que oferecem.

 

Em memória de minha mãe,

                Maria Irene

              (1918 – 2020)


 SINAIS

 

Flores anunciam a primavera,

Frutas amadurecem no verão,

Ventos agitam o outono,

Chuvas umedecem o inverno,

Dores entristecem o coração.