AMIZADE
PERFEITA
Maria
da Glória Colucci
Quando
Fred chegou era alegria e pura faceirice...
Corria
e pulava sem parar, no vigor dos primeiros meses de vida.
Sua
atividade física constante, leveza e habilidade para rodopiar, querendo morder
o próprio rabo, e outras “gracinhas”, fizeram de Fred uma “fofura” só.
Foi, por isso,
que sua tutora escolheu-lhe o nome, em homenagem ao famoso dançarino do cinema,
Fred Astaire.
No
entanto, envelhecendo e acomodando-se à “maturidade” canina, pareceu à sua
tutora e amorosa amiga, que a casa estava silenciosa demais...
Foi
necessário recorrer à criatividade...
Como
animar o ambiente doméstico?
Que
tal um bichano?
Houve,
todavia, um sentimento de quase pânico, sobre se o agito da casa não seria
demasiado, com a presença de um novo morador...
Arriscando-se,
a dona da casa resolveu trazer um gatinho abandonado, esquecido na rua, por
alguém desalmado.
Chegando
ao novo lar, Quindim, o novo hóspede, tornou-se o centro das atenções...
Amarelinho,
peludo e dengoso, o nome o transformou em uma espécie de “docinho” ambulante...
Ninguém,
conseguia resistir ao seu ronronado, quando se roçava, todo maneiroso, nas
pernas e calças dos visitantes.
Porém,
o que mais chamava a atenção de todos era a amizade que unia o cão já idoso e o
charmoso gatinho...
Mantiveram-se,
assim, unidos até o fim da vida de Fred que, mesmo cansado, tolerava os
arroubos de afeto e alegria de Quindim.
Em
uma nebulosa tarde de inverno, Fred partiu em direção à paz eterna...
As
saudades que Quindim sentia de seu amigo mais velho e paciente, perduraram por
certo tempo; até que sua tutora adotou uma gatinha meiga para ser sua
companheira...
Quem
conheceu a duradoura amizade entre Fred e Quindim, sabe que a lealdade e a
confiança, além do amor, os uniu durante suas vidas.
O
pequeno bichano não temia os movimentos bruscos do cão, nos últimos meses de
sua vida, adoecido e irritado, porque amava e confiava no “irmão” de
brincadeiras...
O
cão, Fred, não se aborrecia com as travessuras de Quindim e acompanhava suas
correrias de jovem, sempre com boa vontade...
São
conhecidos os casos de convivência pacífica entre animais, que permaneceram sob
o mesmo teto durante suas vidas...
Entre
seres humanos, amizades verdadeiras são até muito comuns; porém, as
adversidades da vida contemporânea não permitem que sejam, igualmente,
duradouras.
Alegam
alguns que, na era digital, as pessoas não se aprofundam nos sentimentos e
afetos; são “rasos”, imediatistas, superficiais..., por isso, as amizades duram
tão pouco...
Por
fim, a harmonia entre um cão e um gato podem simbolizar a amizade perfeita.
Homenagem a “Docinho”, amada
cachorrinha de meu neto, Felipe Cezar, que se encontra viajando nas estrelas
(2008 - 2023)...