FLOR
AMARELA
Maria da Glória Colucci
Ela
descia a escadaria imponente do majestoso prédio público, quando reparou a
afligida flor amarela lutando para manter-se viva...
Ao
se debater para ficar de pé, nos confrontos com a chuva, que ainda caia, embora
mais leve, a frágil flor amarela estava desfalecendo...
O
Sol escaldante, após a passageira chuva de verão, surpreendeu a todos...
A
chuva intensa que caíra no asfalto e escorria junto à calçada, parecia ser uma
“correnteza” para as pequeninas flores, nascidas à beira da via pública...
Levava
com força, de roldão, detritos, galhos e pequenos insetos, afogados pela força
das águas...
Enraizadas,
as mimosas flores agarravam-se com todas as suas forças ao solo encharcado,
esperando sobreviver ao ímpeto descontrolado da Natureza.
Lá
estava ela mesma, pensou, sacudida pelas correntes de tribulações, procurando
manter-se viva e sobreviver aos ataques violentos às suas condições femininas e
profissionais e à inclemência da velhice...
Lembrou-se,
em íntimas reflexões, que sua vida tinha sido, em tudo, muito semelhante àquela
tímida florzinha...
Vencera,
dia após dia, em uma época em que poucas mulheres conseguiam chegar a cargos
públicos e neles permanecer, como fizera, por 30 (trinta) anos, na Universidade
Federal do Paraná.
À
medida que atravessava a larga avenida, sacudida pela passagem dos
biarticulados, pensou em levar a pequena florzinha e plantá-la em um vaso,
cercado com todo zelo.
Voltou
ao local em que a vira, mas não estava mais lá; o vento, o movimento dos
veículos e o calor escaldante a haviam debilitado tanto, que estava caída...
Recordou-se
de todos os revezes, mortes, abandonos e perseguições, que sofrera, e entendeu
que havia suportado tudo o que vivera, porque a bondosa Mão de Deus a
sustentara...
Os caminhos da vida, por
mais sinuosos que sejam, quando percorridos com fé, trazem muitas alegrias.
FLOR AMARELA
Maria da
Glória Colucci
Não chora, Flor Amarela!
A vida é curta passarela,
Os que ficam ou se vão,
Devem viver com gratidão...
Não chora, Flor Amarela!
A vida é breve aquarela,
Que Muda noite e dia,
Nas cores da dor e
alegria...
Não chora, Flor Amarela!
Deixando passar a vida da
janela,
À espera do amor
verdadeiro,
Que desafia o mundo
inteiro.
Não chora, Flor Amarela!
A vida é colorida tela,
A tristeza d’agora pode ser
O fim de amargo sofrer...
Não chora, Flor Amarela
A vida ainda é bela!