ALEGORIAS. CONTOS. CRÔNICAS. FÁBULAS. MEMÓRIAS.

17 março 2026

FLOR AMARELA

 

FLOR AMARELA

                                                                                                    Maria da Glória Colucci

 

 

                                    Ela descia a escadaria imponente do majestoso prédio público, quando reparou a afligida flor amarela lutando para manter-se viva...

                                    Ao se debater para ficar de pé, nos confrontos com a chuva, que ainda caia, embora mais leve, a frágil flor amarela estava desfalecendo...

                                    O Sol escaldante, após a passageira chuva de verão, surpreendeu a todos...

                                    A chuva intensa que caíra no asfalto e escorria junto à calçada, parecia ser uma “correnteza” para as pequeninas flores, nascidas à beira da via pública...

                                    Levava com força, de roldão, detritos, galhos e pequenos insetos, afogados pela força das águas...

                                    Enraizadas, as mimosas flores agarravam-se com todas as suas forças ao solo encharcado, esperando sobreviver ao ímpeto descontrolado da Natureza.

                                    Lá estava ela mesma, pensou, sacudida pelas correntes de tribulações, procurando manter-se viva e sobreviver aos ataques violentos às suas condições femininas e profissionais e à inclemência da velhice...

                                    Lembrou-se, em íntimas reflexões, que sua vida tinha sido, em tudo, muito semelhante àquela tímida florzinha...

                                    Vencera, dia após dia, em uma época em que poucas mulheres conseguiam chegar a cargos públicos e neles permanecer, como fizera, por 30 (trinta) anos, na Universidade Federal do Paraná.

                                    À medida que atravessava a larga avenida, sacudida pela passagem dos biarticulados, pensou em levar a pequena florzinha e plantá-la em um vaso, cercado com todo zelo.

                                    Voltou ao local em que a vira, mas não estava mais lá; o vento, o movimento dos veículos e o calor escaldante a haviam debilitado tanto, que estava caída...

                        Recordou-se de todos os revezes, mortes, abandonos e perseguições, que sofrera, e entendeu que havia suportado tudo o que vivera, porque a bondosa Mão de Deus a sustentara...

 

 

Os caminhos da vida, por mais sinuosos que sejam, quando percorridos com fé, trazem muitas alegrias.              

 

 

FLOR AMARELA

                                                                                       Maria da Glória Colucci

 

Não chora, Flor Amarela!

A vida é curta passarela,

Os que ficam ou se vão,

Devem viver com gratidão...

 

Não chora, Flor Amarela!

A vida é breve aquarela,

Que Muda noite e dia,

Nas cores da dor e alegria...

 

Não chora, Flor Amarela!

Deixando passar a vida da janela,

À espera do amor verdadeiro,

Que desafia o mundo inteiro.

 

Não chora, Flor Amarela!

A vida é colorida tela,

A tristeza d’agora pode ser

O fim de amargo sofrer...

 

Não chora, Flor Amarela

A vida ainda é bela!