O BEIJA-FLOR
E O PAVÃO
Maria da
Glória Colucci
Suspenso no ar, o frágil beija-flor sobrevoava o
jardim... Ninguém imaginava o esforço que despendia para manter a velocidade de
suas pequeninas asas...
Retirava
o néctar das flores, procurando não as magoar; ao mesmo tempo que as
polinizava. Seu corpinho indefeso se alimentava com o delicioso néctar, de onde
extraia suas forças...
No
mesmo espaço florido, gramado e movimentado pela presença de inúmeros
visitantes, passeava um pavão. Garboso em seu desfile, movia-se de um lado a
outro, vagarosamente..., para ser apreciado por todos...
Ostentando
sua maravilhosa cauda, de brilhantes cores, o pavão ofuscava o tímido
beija-flor que, com diligência, realizava sua laboriosa missão.
Ao
calor da tarde, o público visitante foi mais e mais rareando. Os espectadores
de sua “ostentada formosura” foram se ausentando e, então, o pavão recolheu-se
ao descanso, fora do alcance dos seus admiradores...
Ao
mesmo tempo, o beija-flor continuou em sua batalha diária até o brilho do sol
se arrefecer. Precisava descansar, porque na manhã seguinte prosseguiria em
outro jardim seu mister.
Em
seu descanso, o pavão relembrava os elogios da plateia, enquanto seu ego se
inflava cada vez mais, antevendo novos aplausos...
Na
fábula da vida, a grande maioria é como o beija-flor, cujo silencioso labor
diário move o progresso e o crescimento coletivo. Cada ser humano contribui,
nos limites de suas forças, para o bem-estar de todos.
No
entanto, muitas vezes, no comando das grandes empresas, instituições políticas,
governamentais e religiosas, lá estão os “pavões”, que oprimem, ignoram e
desprezam os autênticos e verdadeiros artesãos do desenvolvimento social – os
cidadãos.
A generosidade e o esforço conjunto promovem o bem-estar de todos; mas a
prepotência e o orgulho sufocam a dignidade humana.