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10 março 2026

O BEIJA-FLOR E O PAVÃO

 

O BEIJA-FLOR E O PAVÃO

                                               Maria da Glória Colucci

 

 

                                    Suspenso no ar, o frágil beija-flor sobrevoava o jardim... Ninguém imaginava o esforço que despendia para manter a velocidade de suas pequeninas asas...

                                    Retirava o néctar das flores, procurando não as magoar; ao mesmo tempo que as polinizava. Seu corpinho indefeso se alimentava com o delicioso néctar, de onde extraia suas forças...

                                    No mesmo espaço florido, gramado e movimentado pela presença de inúmeros visitantes, passeava um pavão. Garboso em seu desfile, movia-se de um lado a outro, vagarosamente..., para ser apreciado por todos...

                                    Ostentando sua maravilhosa cauda, de brilhantes cores, o pavão ofuscava o tímido beija-flor que, com diligência, realizava sua laboriosa missão.

                                    Ao calor da tarde, o público visitante foi mais e mais rareando. Os espectadores de sua “ostentada formosura” foram se ausentando e, então, o pavão recolheu-se ao descanso, fora do alcance dos seus admiradores...

                                    Ao mesmo tempo, o beija-flor continuou em sua batalha diária até o brilho do sol se arrefecer. Precisava descansar, porque na manhã seguinte prosseguiria em outro jardim seu mister.

                                    Em seu descanso, o pavão relembrava os elogios da plateia, enquanto seu ego se inflava cada vez mais, antevendo novos aplausos...

                                    Na fábula da vida, a grande maioria é como o beija-flor, cujo silencioso labor diário move o progresso e o crescimento coletivo. Cada ser humano contribui, nos limites de suas forças, para o bem-estar de todos.

                                    No entanto, muitas vezes, no comando das grandes empresas, instituições políticas, governamentais e religiosas, lá estão os “pavões”, que oprimem, ignoram e desprezam os autênticos e verdadeiros artesãos do desenvolvimento social – os cidadãos.

 

  

A generosidade e o esforço conjunto promovem o bem-estar de todos; mas a prepotência e o orgulho sufocam a dignidade humana.