O
DESMAIO DA BORBOLETA
Maria da Glória Colucci
Era
uma linda borboleta Monarca.
Com
suas cores fortes, porem delicadas, vivia em plena liberdade.
Em
voo rasante sobre as douradas flores do parque, divertia-se com as diferentes
cores e fragrâncias.
Um
belo dia, na paz do sol matinal, conheceu um sedutor macho de sua espécie,
recém-chegado ao jardim.
Tão
belo!... Encantou-se à primeira vista, deixando-se levar pelos olhos da
sedução...
A
seu lado, desfrutava de agradáveis bate-papos, sobre as mais variadas questões
do momento...
Parecia-lhe
que o belo macho era versado em artes, política e religião, um autodidata, sem
dúvida.
Os
meses, praticamente, voaram...
Que
dias tranquilos! Que tardes maravilhosas! Que noites cheias de sonhos!...
Havia,
porém, no singelo coração da borboleta, uma desconfiança sempre presente sobre
quais seriam os sentimentos e intenções do amigo conquistador...
Observava,
todavia, que ele atraía muitos olhares e atenções de outras borboletas, mais
jovens e mais coloridas...
Começou
a enamorada borboleta a se sentir desbotada e sem atrativos. Foi perdendo, aos
poucos, a autoestima e o seu respeito próprio se esvaiu aos poucos...
–
Que estranho! Pensou a borboleta cativada pela beleza, juventude e doces
palavras do sedutor...
–
Por que será que me sinto assim, tão desconfiada?
Entendeu,
em suas mais íntimas reflexões, que as dúvidas que tinha, era um tipo de aviso
do Alto...
–
Cuidado! Pensou consigo mesma... Dizem que as aparências enganam e o amor cega
a realidade, inebriando, com a fumaça da paixão, a racionalidade dos fatos.
Os
dias fluíam cada vez mais nebulosos e sem o brilho dos primeiros encontros e
conversações.
Afastou-se,
discretamente, alegando muitos afazeres, com a chegada da primavera e a
polinização dos campos. Desejava, de longe, observar o pretenso amigo, seus
sorrisos, trejeitos e melodiosa voz masculina...
Foi,
então, que em relance, conseguiu vê-lo em toda a sua “feiura interior”,
mascarada pela sedução e fala macia...
A
discreta borboleta, então, sentiu-se tão chocada e triste que adoeceu, sem
aparente explicação, durante alguns dias...
Ao
recobrar o domínio próprio, procurava, ainda que perante si mesma (já que
ninguém soubera dos seus desvarios sentimentais), justificar seu tolo e
terrível engano...
–
Foi, dizia a si própria, apenas uma perda de consciência, momentânea, como um
passageiro desmaio...
Mas,
em sua triste e solitária alma, a cicatriz que aquele afeto tão profundo
deixou, mais parecia uma cratera, do que um simples e pequeno corte...
E
seguiu, a partir de então, o seu próprio caminho, sem se deixar enganar por
ninguém, por mais sedutor que pudesse ser!
A falsidade e engano
humanos produzem marcas tão profundas, que somente podem ser apagadas pelo
perdão e o incomensurável amor de Deus.