A MALA DA
ZUZU
Maria da
Glória Colucci
Zuzu amava viajar. Divertia-se com as viagens por
completo. O planejamento, as datas e, como não poderia deixar de ser, a mala...
A mala da Zuzu tinha requisitos únicos. Precisos. Devia
ser leve, pequena e com rodinhas... e, sobretudo, de cor discreta...
Não podia pesar muito, porque Zuzu já tinha uma certa
idade... Suas rodinhas não poderiam travar...; porque Zuzu viajava sozinha, com
autonomia...
O primeiro desafio era despachar a mala... Levá-la na
cabine do avião era o ideal...; sem pedir ajuda a outros passageiros, devendo
ser, por isso, leve... Não incomodar ninguém...
Antes, porém, vinha a arrumação da mala. As peças de roupa,
colocadas com cuidadosa ordem e rigor. Separadas uma a uma. Organizadas.
Enroladas e bem dobradas... Bolsinhas garantiam a exata e simétrica
separação... Meias, sutiãs, lenços, bijuterias, cosméticos etc.
A mala começava a ser arrumada vários dias antes da
viagem; e era esvaziada e reorganizada várias vezes, até ficar no ideal...
Roupas eram substituídas de lugar, deixadas para trás, até que o requisito do
“peso” fosse alcançado...; após “pesada” em uma balança portátil...
Seguindo viajem, a mala era o centro dos cuidados.
Preocupações à parte, a mala da Zuzu ainda era nova, mas suas rodinhas sempre
apresentavam problemas...
Encontrar um especialista em rodinhas de mala: eis outro
desafio... Só em Curitiba havia um profundo conhecedor do assunto, técnico
habilidoso... Haja espera e paciência na fila para consertar a mala da Zuzu...
Para levar a mala da Zuzu ao “técnico”, “especialista de
alta competência”, era preciso chamar um Uber; outra questão espinhosa,
porque os motoristas não gostavam de ajudar...
Onde colocar a mala da Zuzu? Na frente, ao lado da
cadeira do motorista? Atrás? Mas, como transportar a mala, que é quase uma
pessoa da família, sem magoá-la?...
Finalmente, consertada, a mala foi arrumada para voltar à
sua casa no Rio de Janeiro... Tudo de novo!
Boa viagem, mala da Zuzu. Volte sempre! Seja bem-vinda!
Se cuide... vê se deixa de ser tão mimada e cheia de vontades...
O tempo desperdiçado com as pequenas coisas é roubado do que realmente
vale na vida – as pessoas.