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07 abril 2026

A MALA DA ZUZU

 

A MALA DA ZUZU

                                                                                                     Maria da Glória Colucci

 

 

                                    Zuzu amava viajar. Divertia-se com as viagens por completo. O planejamento, as datas e, como não poderia deixar de ser, a mala...

                                    A mala da Zuzu tinha requisitos únicos. Precisos. Devia ser leve, pequena e com rodinhas... e, sobretudo, de cor discreta...

                                    Não podia pesar muito, porque Zuzu já tinha uma certa idade... Suas rodinhas não poderiam travar...; porque Zuzu viajava sozinha, com autonomia...

                                    O primeiro desafio era despachar a mala... Levá-la na cabine do avião era o ideal...; sem pedir ajuda a outros passageiros, devendo ser, por isso, leve... Não incomodar ninguém...

                                    Antes, porém, vinha a arrumação da mala. As peças de roupa, colocadas com cuidadosa ordem e rigor. Separadas uma a uma. Organizadas. Enroladas e bem dobradas... Bolsinhas garantiam a exata e simétrica separação... Meias, sutiãs, lenços, bijuterias, cosméticos etc.

                                    A mala começava a ser arrumada vários dias antes da viagem; e era esvaziada e reorganizada várias vezes, até ficar no ideal... Roupas eram substituídas de lugar, deixadas para trás, até que o requisito do “peso” fosse alcançado...; após “pesada” em uma balança portátil...

                                    Seguindo viajem, a mala era o centro dos cuidados. Preocupações à parte, a mala da Zuzu ainda era nova, mas suas rodinhas sempre apresentavam problemas...

                                    Encontrar um especialista em rodinhas de mala: eis outro desafio... Só em Curitiba havia um profundo conhecedor do assunto, técnico habilidoso... Haja espera e paciência na fila para consertar a mala da Zuzu...

                                    Para levar a mala da Zuzu ao “técnico”, “especialista de alta competência”, era preciso chamar um Uber; outra questão espinhosa, porque os motoristas não gostavam de ajudar...

                                    Onde colocar a mala da Zuzu? Na frente, ao lado da cadeira do motorista? Atrás? Mas, como transportar a mala, que é quase uma pessoa da família, sem magoá-la?...

                                    Finalmente, consertada, a mala foi arrumada para voltar à sua casa no Rio de Janeiro... Tudo de novo!

                                    Boa viagem, mala da Zuzu. Volte sempre! Seja bem-vinda! Se cuide... vê se deixa de ser tão mimada e cheia de vontades...

 

 

 

O tempo desperdiçado com as pequenas coisas é roubado do que realmente vale na vida – as pessoas.