DITADURA
DO CELULAR
Maria
da Glória Colucci
Controlar
o poder da língua é a arte mais difícil de se exercitar...
Com
muito esforço e empenho se pode aprender a tocar piano, órgão, pífaro, violão
ou qualquer instrumento musical...
Há,
até os que se tornam “virtuoses” ...
Demanda
muita perseverança, habilidade e, sobretudo, desejo de abrir mão de liberdades
e prazeres da vida, para dedicar-se a uma atividade...
Mas,
a língua? Quem pode domá-la?
Fala-se
demais... Quando se deve calar...
Silencia-se
no momento em que seria adequado e útil falar; principalmente, porque falta
coragem...
Combater
injustiças; defender o pobre, o desvalido, o ferido em seus direitos, etc.;
porém..., é preciso muita ousadia!
Não
é fácil, nem pelo celular...
Exemplos
recentes mostram quantos danos o ato de “bater com a língua nos dentes” tem
causado...
Na
política, nas rodas de amigos, nas intrigas palacianas etc, o alastramento de
injúrias, calúnias e difamações se tornaram nos celulares “lugares de fala”,
com muitos atritos e polarizações; há algum tempo impensáveis...
Mas,
por trás dos bastidores, toda essa baixaria e vergonha nacional era,
devidamente, gravada e divulgada nos celulares.
Tudo
registrado, em prosa, em verso, em fatos, em gestos, em “memes” ... onde? Por óbvio, no celular!
Descontrole
total! Absoluto “non sense”.
Golpes
de Estado imaginários ou não...
Trapalhadas
e parvoíces, nem são escondidas, são escancaradas...
Destarte,
é espantoso como as pessoas divulgam suas debilidades, fotos de crianças,
casamentos, etc e as expõem ao escrutínio estranhos.
Por
outro lado, quando os celulares são roubados, contas bancárias são invadidas,
“nudes” são vasados, vidas são devassadas sem dó, sem piedade...
Tudo,
devidamente, gravado!
Vive-se
em plena ditadura do celular...
Quando
um celular novo é lançado, há um verdadeiro “pânico”, generalizado, dos
consumidores, ávidos por comprá-los, mesmo que, para alguns, com endividamento
acima de suas posses pessoais...
Que
pobreza mental!
Alegam
os pedagogos que o celular pode causar dependência psicológica dos adolescentes,
prejudicando o aproveitamento escolar e a qualificação dos futuros
profissionais do País.
Fala-se,
até mesmo, em uma espécie de síndrome de abstinência para seus usuários, quando
privados de seu uso, gerando ansiedade, déficit de atenção etc...
Há,
ainda, a monetização de vídeos; causando suicídios, os chamados “desafios”, no
caso de crianças e adolescentes...
Quantos
prejuízos o mau uso do celular pode causar! Até quando?
Porém,
a importância do celular como meio de comunicação é inegável! Não se pode,
hoje, viver sem utilizá-lo, desde que de forma equilibrada, respeitosa e
sadia...
O
grande desafio está, certamente, em estabelecer autolimites e educar a
juventude, para dar-lhe o valor, que já possuíram o rádio, a televisão, o
computador, a impressora etc.
Mas,
como tudo passa, a hipervalorização e idolatria do celular é só uma questão de
tempo... vai passar!
Todo e qualquer bem ao alcance do
ser humano deve ser-lhe útil e, jamais, dominá-lo, ao ponto de causar-lhe dano
de qualquer natureza.