O
FAZENDEIRO E SUA PLANTAÇÃO
Maria
da Glória Colucci
Um
certo homem rico, famoso e proprietário de muitas terras, dedicou-se a grande
plantação, próspera e bem sucedida.
Rígido,
trabalhador e exigente, não poupava esforços para o bom desempenho de seus
empregados.
Todos
o serviam com temor, porque era implacável em suas decisões.
Levantava-se
bem cedo.
Trabalhava
até o anoitecer.
Sob
chuva e sol, o proprietário do campo o adubava, aumentando os limites de seu
poder econômico.
Em
razão de sua fama, pessoas que o visitavam, ao mesmo tempo que o elogiavam,
alertavam-no para diversificar o plantio...
Nada
o demovia de suas práticas...
A
insatisfação dos seus trabalhadores com os métodos adotados, com a baixa
remuneração e os maus tratos recebidos, eram-lhe completamente indiferentes.
Uma
noite, uma repentina ventania se aproximou da preciosa plantação do homem
inclemente, deixando-o desesperado com a possibilidade de sua destruição...
Seus
vizinhos, empregados e alguns conhecidos tentaram avisá-lo que deveria se
abrigar dentro de casa, por segurança, ou seria atingido pela súbita
intempérie...
No
entanto, seu raciocínio estava tomado pelo pânico, diante do iminente desastre
ambiental, permanecendo fora dos limites de sua residência...
Arrebatado
pela força do vento, foi o incauto fazendeiro lançado sobre as plantas que,
apesar de pequeno porte, o feriram gravemente...; por serem um campo de cactus
espinhosos e pontiagudos...
O
fazendeiro lamentou consigo mesmo, pela primeira vez, que deveria ter-se
dedicado à plantação de delicadas margaridas, humildes agapanthus ou coloridas hortênsias...;
conforme tantas “vozes” o haviam sugerido.
Mas,
teimoso, insistiu no plantio de cactus, devido aos elevados preços que os
floricultores pagavam para expô-los em suas vitrines..., no movimentado
comércio de outras cidades e países.
Ao
rolar sobre eles, devido ao impacto do vento, feriu-se em todo o corpo...
No
amanhecer, moído, levantou-se e voltou para casa, andando, vagarosamente.
Lavou-se, aliviando a dor das feridas físicas e da vergonha moral, banhando-se
em camomila...
Curado,
vendeu a sede da fazenda e a sua rica plantação de cactus.
Desaparecendo
do cenário, sumiu de madrugada pela estrada em direção da cidade próxima e de
lá viajou para bem longe...
Em
sua arrogância, dizia para si mesmo:
–
Por que não dei ouvidos às sugestões que me foram dadas? Nada disso teria
acontecido.
Lembrou-se,
então, de antigo provérbio popular, que sua mãe repetia com frequência:
–
Quem semeia vento, colhe tempestade!
Muitas
lições podem ser tomadas da narrativa oferecida, ainda que mera ficção.
Como,
por exemplo, a semeadura que muitos, em posição de poder e autoridade, fazem,
no sentido de rigidez excessiva, grosserias, menosprezo pelos mais fracos,
analfabetos ou de pouca cultura...
Um
dia, quando menos esperarem, a ventania da Justiça de Deus os lançará sobre a
própria semeadura que fizeram, colhendo, com grande sofrimento, do mesmo mal
que espalharam.
A semeadura é sempre uma escolha,
mas a colheita não!