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29 abril 2026

O FAZENDEIRO E SUA PLANTAÇÃO

 

O FAZENDEIRO E SUA PLANTAÇÃO

                                                                                                                    Maria da Glória Colucci

 

 

                                    Um certo homem rico, famoso e proprietário de muitas terras, dedicou-se a grande plantação, próspera e bem sucedida.

                                    Rígido, trabalhador e exigente, não poupava esforços para o bom desempenho de seus empregados.

                                    Todos o serviam com temor, porque era implacável em suas decisões.

                                    Levantava-se bem cedo.

                                    Trabalhava até o anoitecer.

                                    Sob chuva e sol, o proprietário do campo o adubava, aumentando os limites de seu poder econômico.

                                    Em razão de sua fama, pessoas que o visitavam, ao mesmo tempo que o elogiavam, alertavam-no para diversificar o plantio...

                                    Nada o demovia de suas práticas...

                                    A insatisfação dos seus trabalhadores com os métodos adotados, com a baixa remuneração e os maus tratos recebidos, eram-lhe completamente indiferentes.

                                    Uma noite, uma repentina ventania se aproximou da preciosa plantação do homem inclemente, deixando-o desesperado com a possibilidade de sua destruição...

                                    Seus vizinhos, empregados e alguns conhecidos tentaram avisá-lo que deveria se abrigar dentro de casa, por segurança, ou seria atingido pela súbita intempérie...

                                    No entanto, seu raciocínio estava tomado pelo pânico, diante do iminente desastre ambiental, permanecendo fora dos limites de sua residência...

                                    Arrebatado pela força do vento, foi o incauto fazendeiro lançado sobre as plantas que, apesar de pequeno porte, o feriram gravemente...; por serem um campo de cactus espinhosos e pontiagudos...

                                    O fazendeiro lamentou consigo mesmo, pela primeira vez, que deveria ter-se dedicado à plantação de delicadas margaridas, humildes agapanthus ou coloridas hortênsias...; conforme tantas “vozes” o haviam sugerido.  

                                    Mas, teimoso, insistiu no plantio de cactus, devido aos elevados preços que os floricultores pagavam para expô-los em suas vitrines..., no movimentado comércio de outras cidades e países.

                                    Ao rolar sobre eles, devido ao impacto do vento, feriu-se em todo o corpo...

                                    No amanhecer, moído, levantou-se e voltou para casa, andando, vagarosamente. Lavou-se, aliviando a dor das feridas físicas e da vergonha moral, banhando-se em camomila...

                                    Curado, vendeu a sede da fazenda e a sua rica plantação de cactus.

                                    Desaparecendo do cenário, sumiu de madrugada pela estrada em direção da cidade próxima e de lá viajou para bem longe...

                                    Em sua arrogância, dizia para si mesmo:

                                    – Por que não dei ouvidos às sugestões que me foram dadas? Nada disso teria acontecido.

                                    Lembrou-se, então, de antigo provérbio popular, que sua mãe repetia com frequência:   

                                    – Quem semeia vento, colhe tempestade!

                                    Muitas lições podem ser tomadas da narrativa oferecida, ainda que mera ficção.

                                    Como, por exemplo, a semeadura que muitos, em posição de poder e autoridade, fazem, no sentido de rigidez excessiva, grosserias, menosprezo pelos mais fracos, analfabetos ou de pouca cultura...

                                    Um dia, quando menos esperarem, a ventania da Justiça de Deus os lançará sobre a própria semeadura que fizeram, colhendo, com grande sofrimento, do mesmo mal que espalharam.     

 

A semeadura é sempre uma escolha,

mas a colheita não!