O
SENTIDO DA PÁSCOA
Maria da Glória Colucci
Conta-se
que às vésperas do domingo de Páscoa, o Senhor Deus enviou dois anjos
mensageiros à Terra.
Queria
o Todo Poderoso encontrar exemplos de corações humanos bondosos, que
promovessem o verdadeiro sentido da Páscoa – o Amor e a Dádiva.
Desejava
abençoá-los de modo especial, com alegria e felicidade eternas.
Os
dois anjos, andando pela Terra, resolveram para cumprir a divina missão, seguir
em direções opostas.
Disse,
então, o Primeiro:
–
Acho que devemos nos separar para que a delicada incumbência dada pelo
Altíssimo seja fielmente executada.
–
Concordo, disse o Segundo, vou para o campo e tu caminharás para a cidade.
E,
assim, fizeram.
O
que foi para o campo, bateu à porta de humilde morada e perguntou se poderia
pernoitar, pois estava de passagem pelo local.
Foi
recebido com gentileza pelos moradores, que lhe ofereceram as melhores
acomodações da pobre casa.
Na
manhã seguinte, o Segundo Anjo prosseguiu em sua vigem, agradecendo a generosa
acolhida...
Mas,
antes de partir, deixou debaixo do travesseiro uma quantia em dinheiro, que
daria para comprar alimentos por longo tempo...
O
Segundo Anjo continuou seu trajeto para bem cumprir a missão divina, andando
pelos campos e vales...
O
Primeiro Mensageiro, por sua vez, na cidade, bateu à porta de uma casa e sequer
foi recebido pelos moradores.
Percebeu,
enquanto aguardava no portão, após bater insistentes palmas, que alguém o
avistou e acenou, irritado, para que não incomodasse e seguisse seu caminho...
Assim,
aconteceu. Perambulou o dia todo, debaixo de sol e chuva...
Andando
pelas avenidas vazias, em plena noite, o Primeiro Anjo, às vésperas do domingo
de Páscoa, viu um pobre homem sentado na calçada, entre trapos...
Então, se
aproximou do mendigo e procurou entabular uma conversa inicial:
–
Boa noite, amigo! Posso me sentar ao seu lado e lhe fazer companhia?
–
Claro, respondeu o morador de rua...
Conversaram
por longo tempo e acabaram por adormecer, recostados em cobertas sujas e
amassadas, no calçamento...
Ao
amanhecer, o Primeiro Mensageiro prosseguiu em sua espinhosa missão...
Porém,
deixou ao partir, uma boa quantia para ajudar o solitário homem.
Agradeceu-lhe
a acolhida respeitosa, ainda que as condições fossem precárias.
Enquanto
andava, o Mensageiro meditava em como o mendigo, sem nada possuir, compartilhou
seus poucos haveres com ele, um desconhecido...
Voltaram,
então, os dois Mensageiros ao Celeste lar...
Deram
conta ao Divino Soberano da missão recebida, relatando as diversas reações das
pessoas encontradas.
Noticiaram
que alguns dos seres humanos nem os receberam e, outros, foram frios e
indiferentes...
O
Mensageiro que foi para o campo contou que no humilde casebre conseguiu
descansar a noite toda, e seus moradores foram gentis e acolhedores com ele.
Mas,
o Primeiro Mensageiro relatou ao Altíssimo que andou longamente pela cidade,
até que encontrou o morador de rua...
Este,
apesar do pouco que possuía, compartilhou com o Mensageiro Divino tudo o que
tinha...
Seus
trapos rasgados e sujos foram divididos na fria madrugada do domingo de
Páscoa...
O
Poderoso Deus, ouvindo as narrativas dos seus Mensageiros, decidiu que deveria
abençoar de modo especial aquele que mais doara – tudo o que tinha.
Naquela
manhã fria, o Senhor da Vida e da Morte recolheu o modesto homem à morada
eterna...; para que nunca mais padecesse de fome ou sede...
Passou
a desfrutar do Eterno Amor recebido diretamente do trono do Pai Celeste.
Aqueles
que foram frios e distantes, quando chamados a acolher e ajudar, no teste feito
pelo Altíssimo, através de seus dois Mensageiros, foram esquecidos...
Assim,
permaneceram no mundo até que aprendessem a compartilhar o que Deus lhes dera,
sem avareza...
O
mendigo recebeu de Deus o galardão divino, qual seja, de desfrutar da
felicidade, paz e amor eternos.
Na Páscoa, comemora-se a Suprema
Dádiva do Amor Divino – Jesus Cristo, o Salvador.
Jan,
2026.