ALEGORIAS. CONTOS. CRÔNICAS. FÁBULAS. MEMÓRIAS.

09 maio 2026

BILHETE PARA MAMÃE

 

BILHETE PARA MAMÃE

                                                                             Maria da Glória Colucci

 

 

                        Tenho guardado, como verdadeira relíquia, um bilhete escrito por mim, para minha mãe, em 8 de maio de 1955.

                        À época eu estava com 10 anos de idade...

                        Morávamos em bairro distante, na região suburbana do Rio de Janeiro...

                        O local era agradável e tinha um ar quase bucólico, interiorano...

                        As ruas não eram asfaltadas, porém, ladeadas por pequenos arbustos que, à época, abrigavam passarinhos em seus frágeis ramos.

                        Hoje, no entanto, o abandono dos governantes, a falta de estrutura viária, tornou a bela região quase inabitável...

                        Brincávamos na calçada, de roda, de amarelinha; enquanto os meninos jogavam futebol ou bolas de gude...

                        Íamos a pé para a Escola Pública República do Chile, a razoável distância, sem qualquer medo...

                        Alegres, pulando pelo caminho, voltávamos para casa sãos e salvos...

                        Algum tempo depois, voltamos para o bairro de Ramos, de onde não devíamos ter saído, pelas suas comodidades e proximidade do centro da cidade...

                        Neste singelo bilhete, transcrito por mim na sequência, procuro em meu nome e de meus irmãos, Paulo, Nize e Mira, mostrar nossa preocupação e apoio à nossa mãe...

                        Foram tempos difíceis, em que ela, sem ajudante doméstica, limpava toda a casa e cuidava com esmero dos filhos...

                        Os recursos financeiros eram escassos..., tudo precisava ser feito em casa, desde a comida da criançada “comilona”, até às roupas, costuradas por minha mãe na máquina Singer...

                        Quando de seu falecimento, em 2020, dentre os achados de minha mãe, foi encontrado o bilhetinho escrito há 70 anos:

 

                         

                          “A minha mãe querida”

 

               Minha mãezinha querida, escrevo-lhe este simples bilhete a fim de pedir-lhe mil descupas pelas minhas respostas, macriações, amolações, igijensias etc...

             Porque eu recunheço que você sofre tanto pela causa de nos tirar daqui aonde moramos e nem assim nós como seus filhos não temos ajudado-a devidamente como você merece...

             Nós todos juntos hoje nesse dia tão maravilhoso e festival comemoramos o dia “das mães”.

             Quem inventou tão grande dia merece muitos e muitos aplausos por todos que amam suas mães verdadeiramente.

             Agora todos nós, seus filhos pedimos muitas e muitas descupas pelas nossas faltas de consideração com você que tanto merece os nossos carinhos e atençones.

             Nós todos desse grande mundo comemoramos hoje o dia “das mães” constumamos dar presente, fazer promesas de obediência, abraços, beijos e outras cousas que não me lembro no momento.

             Mas isso não é nada nada pois o que você merece é o queu não sei disser.

             Agora nós despedimos de você com um grande abraço de seus filhos, Paulo, Nize e Mirinha

                                  e

                                          Maria da Glória

 

                                                                      

                        Obs.: os erros ortográficos e repetições foram transcritos como se encontram no bilhete original; amarelado e com vários pequenos “furos” feitos pelas traças...

 

 

Respeitar e amar aos pais é o primeiro mandamento com promessa de sucesso na vida: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que te vá bem e vivas muito tempo sobre a Terra”.

Bíblia Sagrada: Efésios 6: 2 – 3.