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21 maio 2026

O DRAGÃO E A LAGOA

 

O DRAGÃO E A LAGOA

                                                                  Maria da Glória Colucci

 

 

                                    Escondia-se nas trevas de uma caverna à certa distância de uma linda e plácida lagoa. Quem passasse não perceberia sua presença, talvez, pudesse sentir seu hálito fétido e o brilho esverdeado de seus olhos dilatados...

                                    De longe, o estranho dragão observava o encanto da lagoa, suas margens rodeadas de belas palmeiras, folhagens coloridas e o alegre canto dos pássaros. Pensava, em sua insensatez, que se ele morasse mais perto da lagoa, talvez, fosse mais belo, mais atraente ao olhar dos visitantes...

                                    Imaginou-se, ao sol, banhando-se na água cristalina da lagoa e ouvindo o som do vento, suave, deslizando nas largas folhas das palmeiras...

                                    Aos finais de semana, crianças e seus familiares vinham divertir-se ao redor da lagoa, correndo e mergulhando em suas águas azuladas... A alegria transbordante dos inocentes corações parecia tocar o céu...

                                    O tempo passou... Vieram os dias de chuva e a lagoa aumentou o volume de suas águas, agora, barrentas, escuras e sem o espelho transparente do verão...

                                    O dragão, imerso em sua amargura e escuridão, sentiu-se, de algum modo reconfortado; porque, agora, havia entre eles uma certa afinidade...

                                     Mas, com a chegada do outono e, após, a primavera, as águas da lagoa foram se tornando, mais e mais, claras, retomando sua beleza e transparência habituais...

                                    – Que pena, pensou o dragão...; estávamos tão próximos... quase amigos!...

                                    Recordou os dias em que contemplou sua carranca distorcida nas águas escuras da lagoa... Não perdeu a esperança, afinal, outras enchentes ainda poderiam voltar...

                                    A lagoa, que tudo observava de longe, analisava as reações do obscuro dragão, entendendo que nunca conseguiria ser sua amiga; porque o dragão somente se sentia feliz, quando ela estava enlameada e triste...

 

 

O invejoso se alegra com a desgraça alheia; muito mais do que com o próprio sucesso.