PEDRINHO
E MIMI
Maria da Glória Colucci
O
longo romance durou toda uma vida de afeto e cumplicidade.
Mimi
e Pedrinho se conheceram nos primeiros anos da juventude, em Itaperuna, no Rio
de Janeiro...
Pedrinho
passava ao pé da sacada e, esperançoso, sonhava em ver Mimi, linda como
sempre...
De
família rica e respeitada, Mimi sabia ser delicada, elegante e sensível...
Era
professora de música, de piano e acordeão, ensinando pelo método Mascarenhas...
Tinha
muitas alunas. Meninas que se esmeravam para serem admiradas e escolhidas por
jovens bem sucedidos e abastados da sociedade local.
Mimi
encantou-se, secretamente, por Pedrinho e seus lindos olhos azuis...
Ninguém
sabia quem era o dono de seu apaixonado coração...
Havia,
no entanto, muitas barreiras sociais à época, separando Mimi e Pedrinho...
Ele
viera do interior – que era chamado de “roça” – e, apesar de sua gentileza e
bela aparência, não possuía recursos para pedir a mão de Mimi em casamento.
Por
isso, conversaram na janela da casa colonial, de propriedade dos pais de Mimi,
no centro da cidade, por longo tempo.
Dizem
que assim aconteceu por longos 10 anos..., até que Pedrinho foi aceito como
“visita”, e convidado a entrar no belo casarão de esquina.
Um
dia a família de Mimi mudou-se para o Rio de Janeiro, buscando novos ares...
Inconsolável,
Pedrinho foi à procura de sua amada Mimi... e, longe dos preconceitos
interioranos, pediu-a em casamento...
Casaram-se,
mas nunca tiveram filhos, porque a bela Mimi já tinha perto dos 30 anos de
idade...
Nos
idos de 1940 era sempre mencionado que seu casamento foi realizado quando Mimi
era uma “moça velha” ...
Permaneceram
juntos até bem velhinhos, quando Pedrinho faleceu...
Apaixonada
e profundamente saudosa e triste, Mimi viveu pouco tempo após a partida de
Pedrinho...
Pedrinho
e Mimi foram meus tios paternos.
Meu
tio Pedrinho nos levava, a mim e meus irmãos, até ao Sítio São Luis, na época
das férias, em Comendador Venâncio...
Era
muito gentil e carinhoso, com uma paciência, hoje, para mim, incompreensível...
Viajávamos
de limusine do Rio de Janeiro até o destino no interior, na “roça”, onde
ficávamos por longos, divertidos e saudosos dias...
Tenho
de Mimi a mesma lembrança de generosidade e paciência, porque nos dava aulas de
acordeão, de graça, apenas pelo prazer de doar do seu tempo e habilidades...
Em memória de Mimi e Pedrinho.
Curitiba, 2025.
Há pessoas que passam pela Terra
como raios de luz, iluminando com amor, bondade e generosidade a todos que os
conhecem.
SAUDADES
Não têm nome.
Não têm marca
Nem somem...
Saudades do agora.
Saudades do ontem.
Saudades do outrora...
*Disponível no Blog: Nuvem de Cetim Poemas. Endereço eletrônico: https://nuvemdecetimpoemas.blogspot.com