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27 janeiro 2026

A ARANHA E O TIGRE

 

A ARANHA E O TIGRE

                                                                                               Maria da Glória Colucci

 

 

                                        A aranha subia e tecia a teia de seu pequeno mundo, pendurada nos galhos de um arbusto...

                                        Ao mesmo tempo, ampliava seu ninho, na alegria da chegada de novos moradores... Seus minúsculos ovos, juntinhos, iriam eclodir e o espaço precisava acolhê-los.

                                        Caprichava no desenho de sua teia, enquanto a transformava em delicada renda. Seus filhotinhos mereciam acolhimento e proteção quando nascessem...

                                        Ao raiar do sol, os fios translúcidos refletiam a suavidade da luz, como se fossem minúsculos diamantes... Cativavam os olhares encantados, derramando beleza e paz ao redor.

                                        Enquanto isso, com toda força e pujança de seus músculos, o pequeno tigre corria pelos campos, na vitalidade dos primeiros meses de vida...

                                        Atraído pelo brilho da teia de aranha, o tigre tentou alcançá-la, procurando satisfazer sua curiosidade; porém não conseguiu resultado... Surpreso, afastou-se.

                                        Do alto, a inofensiva aranha tremia com a ameaça e o risco de morte que sofrera; mas a frágil teia a havia protegido.

                                        Enquanto prosseguia em sua engenhosa construção, a aranha acrescentava mais e mais fios de bondade, cuidado e amor ao seu lar, que se expandiram como raios de luz ao redor.

 

 

 Gestos de bondade, cuidado e amor, aquecem a própria vida e do próximo, e protegem nas adversidades.

 

AS ABELHAS E O URSO

 

AS ABELHAS E O URSO

                                                                  Maria da Glória Colucci

 

                                    O zumbido era intenso. A colmeia fervilhava. Era o tempo da florada. As campinas, jardim, e praças floresciam. Era preciso redobrar as forças... Produzir mais o precioso mel...

                                    A abelha Rainha dependia de mais e mais mel para alimentar a nova geração que chegava...

                                    A colmeia, concentrando suas forças, procurava saciar a fome das recém nascidas...

                                    Crescidas, as “novatas” iniciavam o ofício de polinizar os jardins, ao extraírem o néctar das plantas... preparavam, ao mesmo tempo, a futura produção do mel...

                                    Em seu agitado ciclo de vida, as laboriosas abelhas não notaram o urso alto, que rondava a colmeia havia meses...

                                    Em ensolarada manhã, o faminto urso atacou a colmeia. De uma só vez, sua forte pata e garras afiadas destruíram tudo...

                                    As horas, dias frios e noites de intenso esforço foram-se... A labuta das minúsculas abelhas se desfez em segundos... Tudo foi por terra...

                                    Após fartar-se, o urso seguiu seu caminho... Satisfeito com sua força e destreza, nem se importava com o sofrimento causado.

                                    Pensou consigo mesmo, cheio de orgulho; que a Natureza o fizera forte para sufocar os fracos...

 

 

“O egoísmo e maldade do coração destroem as mais belas e doces coisas da vida.”