O LEÃO E AS
FORMIGAS
Maria
da Glória Colucci
Espreguiçava-se
o leão sob os galhos de uma das poucas árvores que restara desde as últimas
chuvas...
Próximo ao
leito do rio, o cenário desértico, seco e sem vida, se acentuava ainda mais
pela presença de esqueletos de animais...
As carcaças
eram uma evidência da aridez do solo, da sequidão do ambiente, desolador e
esquecido pelos seres vivos...
Os barrancos
se estendiam ao longo da ravina, contornando os sulcos deixados pela passagem
abrupta das violentas correntes d’água que, uma vez ao ano, fluíam por entre as
rochas...
Nada lhe
parecia incomodar. As moscas, o zumbido insistente dos mosquitos, o voo rasante
dos corvos, atraídos pelo mau cheiro dos restos de animais, mortos pela fome e
sede.
O leão vivia
rodeado pelo que estava incorporado à sua memória, lembranças de sempre, o que
lhe dava uma aparente calma...
Todavia, sob
o solo, fervilhava um grande formigueiro. Era constante o ir e vir das
formigas, recolhendo as últimas folhas e restos de insetos que se escondiam nos
sulcos da terra...
Desenvolviam
um labor diário, do amanhecer até ao pôr do sol, aproveitando o calor, o estio,
para armazenar o seu pão...
Enquanto as
formigas carregavam seus enormes fardos, muitas vezes mais pesados do que as
suas forças; o leão aproveitava para dormir, soneca após soneca..., à espera de
uma distraída caça...
E o tempo
das chuvas chegou. Dia após dia torrentes de desolação e fome se lançaram sobre
a ravina. Mas, as laboriosas formigas, abrigadas nas profundezas das rochas,
mantiveram-se alimentadas na adversidade e mau tempo.
E o leão,
magro e andarilho, então, saiu, tendo consciência do tempo perdido com a
preguiça e imprevisão...
Sábio é quem trabalha aproveitando as oportunidades, porque no inverno
(velhice) colherá os resultados.